Cidades

Boa Vista tem primeira condenação de réu pelo novo crime de feminicídio: homem é condenado a 31 anos por tentar matar companheira

O Tribunal do Júri condenou Adriano Batista Alves a 31 anos de reclusão por tentar matar a companheira, além de ameaça, cárcere privado e tortura. O crime aconteceu no bairro Senador Hélio Campos, zona Oeste de Boa Vista, na residência onde o casal morava. A decisão é da última quarta-feira, 15.

Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público de Roraima à Justiça, o caso ocorreu entre os dias 22 e 26 de agosto do ano passado, já na vigência da nova lei que agravou a pena dos casos de feminicídio do país.

Ele começou a agredir a vítima após uma suspeita de infidelidade, quando passou a torturá-la com socos, tapas, facadas, gargalo de garrafa, queimadura com cigarro e mordeduras. A mulher foi atingida na cabeça, braços, pernas e região íntima. Tudo foi exposto a familiares e amigos dela, com postagens feitas nas redes sociais.

Conforme apurado, no dia 26 de agosto, após um novo desentendimento, Adriano disse à então companheira “de hoje tu não passa, eu vou te matar”. Em seguida, fez uma ligação para que ela se despedisse da família. Nesse momento, o irmão da vítima começou a discutir com o homem. Com isso, ele se distraiu e a vítima conseguiu fugir.

O Júri reconheceu os crimes praticados por Adriano e, após sua condenação, ele recebeu uma sentença de 31 anos de reclusão em regime inicialmente fechado. O processo tramitou na 2ª Vara do Júri de Boa Vista e durou sete meses. Ele já estava preso preventivamente por ordem judicial.

O Novo crime de Feminicídio

Com a alteração legislativa em 2024, o feminicídio passou a ser crime autônomo e teve sua pena aumentada de 12 a 30 anos para de 20 a 40 anos de reclusão. E hoje, junto ao vicaricídio, é o crime com a pena privativa de liberdade mais alta no sistema penal brasileiro.

Conforme as alterações, o condenado por esse tipo de crime só terá direito à progressão de regime após cumprimento de no mínimo 55% da pena.

O Mal da Violência Doméstica

Segundo a Promotora de Justiça, Jeanne Sampaio, que representou o MP na sessão do Tribunal do Júri, a mulher que sofre a violência doméstica e familiar, é reduzida aos poucos a uma condição de nulidade pelo homem que diz que a ama e que, por isso, deveria ser o primeiro a protegê-la, mas lhe impõe violência de vários tipos, moral, psicológica, patrimonial, sexual e física.

Para a Promotora, “o feminicídio não acontece de repente, ele ocorre quando o desprezo à condição da mulher já se instalou. Que esse caso sirva de alerta não só para os agressores, pois o mal do crime será retribuído com o mal da pena, mas também para as mulheres, de que quando em situações como essas podem procurar ajuda em órgãos, instituições e pessoas em nossa cidade que se dedicam à proteção e defesa da mulher”.

Fonte: Da Redação

Lara Muniz

Recent Posts

Homem é preso em flagrante por estuprar criança de seis anos no bairro Caranã

Suspeito e a companheira dele são amigos da mãe da vítima e estavam hospedados na…

12 horas ago

Aderr promove curso para habilitar médicos veterinários na emissão de GTA para eventos agropecuários

Treinamento ocorre no dia no dia 27 de julho, em Boa Vista, e prepara profissionais…

13 horas ago

Brasil envia novas vacinas para vítimas de terremotos na Venezuela

Ao todo, mais de 5 mil mortes foram confirmadas em quase quatro semanas no país…

14 horas ago

AgroBV 2026 acontece de 30 de julho a 2 de agosto no Bom Intento

Evento ocorre na zona rural de Boa Vista com variedade de atrações para o público

14 horas ago

HGR pede comparecimento de familiares de paciente idoso internado

Antonio Braga de Oliveira, de 71 anos, internado no setor de sutura do Pronto-Socorro do…

14 horas ago

PRF: dois são presos com armas em Roraima

Prisões ocorreram em duas fiscalizações em diferentes pontos do estado

14 horas ago