Fernando Frazão/Agência Brasil
A abertura do chamado “arranjo de pagamento” começou a partir desta segunda-feira, 11. Trata-se da transição para que o sistema de cartões de vale-refeição e vale-alimentação permita que todos sejam aceitos em diferentes maquininhas.
A partir de novembro deste ano, a previsão é que o sistema esteja integrado para que qualquer cartão possa funcionar em qualquer maquininha do país. A medida faz parte das novas regras que começaram a vigorar em fevereiro.
As mudanças, que afetam mais de 22 milhões de trabalhadores, fazem parte de decreto que regulamentou o PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) em novembro de 2025.
Entre as medidas já em vigor está a taxa única de até 3,6% que as operadoras podem cobrar de supermercados e restaurantes pelos serviços prestados. Do mesmo modo, o prazo para repasse dos valores aos estabelecimentos comerciais também passou de 30 para 15 dias.
Já o uso do cartão em mais estabelecimentos e bandeiras, sem limitação a redes exclusivas, começará a vigorar só em novembro.
“Trabalhadores que recebem vales da rede fechada escolhem onde comprar comida não pelo que faz mais sentido para eles, mas pela rede de aceitação disponível. A interoperabilidade e a abertura dos arranjos transformam essa realidade”, afirma Ademar Bandeira, CFO da Flash.
Ele explica que o beneficiário passará a ter mais liberdade e autonomia para fazer escolhas alimentares, sem depender de uma rede específica. A tendência será de aceitação mais ampla, compatível com a rotina e os diferentes perfis de trabalhadores no Brasil.
“Fora dos grandes centros, onde a limitação de estabelecimentos credenciados sempre impactou usuários de VA e VR, a mudança tende a ser ainda mais perceptível”, acrescenta Bandeira.
Além disso, o decreto manteve o uso restrito à compra de alimentos e a proibição de que o dinheiro seja para outras finalidades, como academias, farmácias, planos de saúde ou cursos.
Segundo o Governo Federal, o objetivo das medidas é aumentar portanto a concorrência no setor, reduzir os custos e ampliar a liberdade de escolha.
“O processo em andamento abrirá caminho para que, em novembro, seja possível a ‘interoperabilidade’, ou seja, todo cartão passar em qualquer maquininha”, explica nota do Ministério do Trabalho e Emprego.
Segundo a pasta, abrir o arranjo significa, na prática, transformar um sistema hoje fechado e concentrado em um sistema aberto e compartilhado entre várias empresas.
Veja como funciona hoje, o que muda com a abertura e por que isso é necessário para chegar à interoperabilidade.
Hoje, no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), uma mesma empresa (a facilitadora) costuma concentrar praticamente toda a operação: ela emite o cartão, credencia os estabelecimentos, define com quais “maquininhas” o cartão funciona e participa da liquidação do pagamento.
Isso cria um circuito quase exclusivo: o trabalhador só consegue usar o benefício nos estabelecimentos e equipamentos integrados àquela empresa. É como se cada operadora tivesse sua própria “rede isolada”.
Quando o arranjo é aberto, essa lógica muda completamente. As diferentes etapas da operação deixam de ser exclusivas de uma única empresa e passam a poder ser realizadas por diversos participantes.
Na prática:
Ou seja, os elos da cadeia se separam e passam a ser disputados por diferentes empresas. Isso quebra a exclusividade e permite que novos players entrem no mercado.
O resultado direto é:
A interoperabilidade — prevista para entrar em vigor em novembro de 2026 — depende justamente desse ambiente aberto.
Sem a abertura, cada sistema continua “fechado em si mesmo”, o que impede a comunicação entre diferentes redes.
Com a abertura:
Só então se torna então possível o passo seguinte: o trabalhador usar o cartão em qualquer maquininha, independentemente de quem emitiu o benefício ou de qual rede o estabelecimento utiliza, por exemplo.
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Pode participar quem tem contrato firmado até 2017 e que estava em fase de pagamento