Foto: Divulgação Semuc
A Escola Municipal Pequeno Polegar conquistou o 2º lugar na etapa estadual da 3ª edição do Prêmio Educador Transformador com o projeto Crianças Tradutoras, iniciativa que se tornou exemplo de inovação e inclusão na Rede Municipal de Ensino.
A premiação reconhece práticas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e valoriza projetos que fortalecem o protagonismo estudantil e o impacto social da educação. A iniciativa da escola municipal fortalece o aprendizado da língua portuguesa para alunos imigrantes.
Atualmente, dos 522 estudantes matriculados na unidade escolar, 328 são venezuelanos e 116 pertencem à etnia Warao, crianças diretamente impactadas pelo projeto.
As aulas e os materiais didáticos da rede municipal são ministrados em português. Quando um aluno recém-chegado encontra dificuldade para compreender determinada palavra ou atividade, pode contar com o apoio de um colega bilíngue – estudantes que já vivem há mais tempo no Brasil ou nasceram aqui, filhos de venezuelanos ou Warao, e dominam os dois idiomas.
A dinâmica é simples e acontece de forma natural. O professor segue com a explicação e, ao identificar a dificuldade, solicita o auxílio do aluno tradutor, que faz a mediação em espanhol ou Warao. A escola também utiliza muitos recursos visuais, imagens e cartazes ilustrativos para facilitar o entendimento.
O acolhimento também está presente nos detalhes: todas as placas de identificação da unidade estão nos três idiomas – português, espanhol e Warao – do banheiro ao refeitório, fortalecendo a autonomia e o sentimento de pertencimento.
Para a equipe escolar, o reconhecimento confirma que a diversidade, quando bem trabalhada, se transforma em potência pedagógica.
“Somos uma escola com grande diversidade cultural e buscamos transformar isso de forma positiva para toda a comunidade escolar. Esse prêmio mostra que é possível unir inclusão, qualidade pedagógica e inovação”, explicou a vice-gestora, Cátia Calisto.
A coordenadora Fulvia Santana, uma das responsáveis pela iniciativa, conta que a ideia nasceu da observação atenta da rotina escolar. “Percebemos que não existe uma receita pronta para ensinar a língua portuguesa para quem acabou de chegar. O que observamos foi que eles mesmos conseguiam ajudar na aprendizagem, nas traduções. Entendemos que as crianças poderiam ser protagonistas nesse processo”, explicou.
Na rotina da sala de aula, o projeto tem feito diferença. A professora Celiane Marques, que leciona para o 2º ano em uma turma mista, destaca o impacto da iniciativa no dia a dia.
“É bastante válido e facilita nosso trabalho. Além disso, fortalece o laço da turma. Para os alunos tradutores, também gera autoestima e autonomia. Cria um vínculo afetivo e social muito importante entre eles e com o professor”, pontuou.
O projeto beneficia também os estudantes que assumem o papel de tradutores. Angel Andres, de 10 anos, chegou ao Brasil ainda pequeno e hoje ajuda os colegas na adaptação. “Gosto muito porque é uma forma de ajudar meus colegas. Cheguei no Brasil com 3 anos de idade e falo muito bem português”, contou com orgulho.
Aneli Silva Cooper, de 12 anos, da etnia Warao, também passou a integrar o grupo de apoio linguístico. Ela é novata na unidade. “Hoje foi meu primeiro dia como aluna tradutora e achei muito legal. Ajudamos os colegas a fazerem as tarefas, mas também traduzimos quando alguém quer beber água ou ir ao banheiro”, relatou.
Mas os ganhos não são apenas para quem traduz ou para quem está aprendendo português. Os estudantes brasileiros também ampliam horizontes dentro da sala de aula. Nicolas Dantas, de 10 anos, aluno brasileiro, destaca a troca cultural vivida no dia a dia. “Eu acho legal e interessante, porque a gente pode aprender outras línguas. Em Warao é difícil, mas o espanhol já é mais fácil. Tenho amigos venezuelanos, falo mais ou menos”, disse.
Fonte: Da Redação
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