Foto: Bruno Mancinelle/Casa de Governo
O ano de 2024 marcou a retomada do modo de vida indígena na Terra Yanomami. Os Yanomami voltaram a praticar o plantio de culturas para garantir alimento. A informação pôde ser quantificada através do Programa Brasil M.A.I.S., do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que comunicou 33 alertas de corte raso no interior da TIY, em dezembro de 2024, para a atividade, totalizando 22,94 hectares, o equivalente a 32 campos de futebol. O monitoramento foi feito via satélite.
Com a terra voltando a ser cultivada, os indígenas esperam então reduzir a dependência de alimentos externos e fortalecer sua cultura alimentar tradicional, baseada no cultivo e na coleta de alimentos naturais. “A redução do garimpo ilegal já trouxe melhorias para as comunidades, como mais segurança, saúde e a retomada da soberania alimentar. Ainda há desafios. Mas esses avanços mostram como a retirada dos garimpeiros é essencial para a sobrevivência dos Yanomami”, afirma Júnior Hekurari, presidente da Uruhi Associação Yanomami.
As roças dos Yanomami fazem parte de um sistema agrícola sofisticado, adaptado à floresta amazônica e essencial para a subsistência das comunidades. Diferente da agricultura convencional, os Yanomami utilizam um modelo sustentável de coivara. Eles desmatam e queimam temporariamente as áreas da floresta para o plantio, permitindo assim que o solo recupere sua fertilidade após alguns anos.
Cada comunidade cultiva uma variedade de espécies em suas roças, priorizando mandioca (sobretudo a macaxeira ou aipim), banana, taioba, inhame, cana-de-açúcar, pupunha, milho, pimenta, tabaco, urucum, algodão e plantas medicinais. Esse modelo diversificado não apenas garante uma alimentação equilibrada, mas também reduz a degradação do solo e permite uma renovação natural da floresta.
Os esforços para expulsar os garimpeiros começaram a surtir efeito em 2023 e, em 2024, a TIY registrou uma drástica redução da atividade garimpeira. Conforme dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a abertura de novos garimpos na TIY caiu 95,76% em relação a 2022, passando de 1.001,55 hectares em 2022 para 37,04 hectares em 2024. Como consequência, os Yanomami e Ye’kwana voltaram a abrir suas roças, garantindo sua autonomia alimentar e retomando práticas tradicionais essenciais para sua sobrevivência.
Na Comunidade Indígena Whatou, na região do Alto Rio Mucajaí, próximo da Cachoeira da Fumaça, pode-se observar essa dinâmica de reocupação e abertura de novas roças. O cenário, antes degradado pela mineração ilegal, agora dá lugar a plantações que garantem a segurança alimentar e a retomada da autonomia indígena.
O auge do garimpo ilegal na TIY marcou o período de 2022. A atividade criminosa não apenas destruiu grandes áreas de floresta, mas também contaminou os rios com mercúrio, espantou a caça e interrompeu o cultivo das roças, principal fonte de alimento dos indígenas.
Sem poder plantar e caçar, muitas comunidades ficaram reféns dos garimpeiros. A mudança na dieta afetou a saúde dos Yanomami, agravando quadros de desnutrição e vulnerabilidade a doenças, como a malária, que se espalhou rapidamente devido à degradação ambiental causada pelo garimpo ilegal e ao aumento do número de criadouros de mosquitos.
Com a escassez de alimentos e a contaminação dos rios, a mortalidade infantil aumentou, e imagens de crianças desnutridas ganharam repercussão nacional e internacional naquele período.
Em janeiro de 2023, durante visita à TIY, o presidente Lula classificou a situação como um genocídio e anunciou medidas emergenciais para proteger os indígenas. “O que vimos na Terra Yanomami foi um genocídio. Não vamos permitir que isso continue acontecendo no nosso país”, afirmou o presidente na ocasião.
Após a visita, o Governo Federal decretou emergência sanitária na TIY e mobilizou equipes para garantir atendimento médico, segurança e abastecimento alimentar às comunidades afetadas. Também foram instaladas bases de atendimento de saúde, reforçadas as operações de retirada dos garimpeiros e implementados programas emergenciais de distribuição de alimentos.
Fonte: Da Redação
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