Cidades

Jovens que cumprem medidas socioeducativas exploram arte e música em projeto da Justiça

A 4ª edição dos Caminhos Literários no Socioeducativo, que aconteceu na primeira semana de julho, contou com uma programação voltada à aproximação de jovens em cumprimento de medidas socioeducativas ao universo da arte, cultura e audiovisual. Esse ano o tema foi “Adolescências em Cena”.

A ação

A ação é do Conselho Nacional de Justiça, através do Programa Fazendo Justiça (Conselho Nacional de Justiça/Programa das Nações Unidas) em parceria com o Projeto Leitura Abre Portas, iniciativa do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), por meio da Biblioteca e do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria.

Um mês antes da abertura, ocorreram atividades com os adolescentes para aproximá-los da temática audiovisual, como oficinas de fotografia ministrada por Orib Ziedson e exibição de filmes, curtas e documentários com o apoio da Coordenadoria da Infância e da Juventude. Como resultado da oficina de fotografia, os adolescentes do Semiliberdade produziram um vídeo para veiculação nacional durante o evento.

Do mesmo modo, a abertura institucional ocorreu no dia 3 de julho, com transmissão ao vivo pelo canal oficial do CNJ no YouTube. Como resultado, o evento abordou o direito à cultura como elemento essencial na trajetória de adolescentes em situação de vulnerabilidade e do Sistema socioeducativo.

Fortalecimento

De acordo com o Diretor de Apoio Direto do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), Dagoberto Gonçalves, essas iniciativas são fundamentais para fortalecer o acesso à leitura.

“O CNJ e o Projeto Leitura Abre Portas fomentam a indução dessa leitura para esses adolescentes privados de liberdade ou no semi internamento. O GMF, em parceria com a biblioteca aqui do Tribunal de Justiça, com apoio de toda a gestão, leva esse acervo bibliográfico a trabalhar com esses adolescentes. Para nós, é muito gratificante, nos enche de orgulho e nos mostra que estamos seguindo o caminho correto.”

No dia 4 de julho, a Unidade de Semiliberdade recebeu a oficina CineJuventude. A escritora e roteirista roraimense Jama Wapichana, que estimulou os participantes a criarem roteiros e a explorarem narrativas inspiradas em suas vivências. A atividade teve como objetivo incentivar a criatividade e oferecer novos caminhos de expressão. A roteirista descreve sua experiência durante a troca de conhecimento:

“Tive a oportunidade de compartilhar meus conhecimentos sobre roteiro e cinema com jovens talentosos. Foi incrível ver a criatividade e o engajamento deles! A experiência foi  enriquecedora para mim e para os participantes.”

Além do entretenimento

De acordo com o diretor de Gestão Documental do TJRR, Arthur Azevedo, as ações desenvolvidas vão além do entretenimento e contribuem diretamente para a formação cidadã dos adolescentes.

“Os jovens participaram de oficinas de gravação de curtas-metragens e de elaboração de roteiros. Eles se envolveram, imaginaram, desenvolveram o pensamento criativo e construíram pequenas tramas inspiradas no cotidiano.”

Na mesma data, o Centro Socioeducativo Homero de Souza Cruz Filho (CSE) realizou uma programação que contou com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult). A Biblioteca Pública de Roraima, disponibilizou o MovCeu, (van com biblioteca, estúdio para produção e edição audiovisual, óculos de realidade virtual, palco montável, projetor e telão), produção musical e outras atividades culturais.

Música

A música também esteve presente na programação. O produtor cultural João Felipe, conhecido como Caboco Beats, ministrou uma oficina de beatmaking, introduzindo os adolescentes ao universo do rap e do hip-hop.

“Acredito que o acesso ao direito cultural é essencial para o desenvolvimento cidadão. Além disso, a produção musical pode, para alguns, pode tornar-se uma alternativa profissional no futuro.”

Além disso, a bibliotecária Madrice Cunha ressaltou a importância da participação dos adolescentes em atividades culturais. “Todo cidadão tem direito à cultura. Essa ação existe para garantir que esse direito também seja exercido pelos adolescentes. Vejo que o sistema socioeducativo de Roraima está ativo e atuante, com o apoio do Tribunal, por meio do projeto Leitura Abre Portas.”

Já o diretor do CSE, Genildo Pedro da Silva, avaliou os impactos do projeto no processo de ressocialização. “Essas atividades ampliam as oportunidades e mostram aos adolescentes possibilidades que talvez não tivessem enxergado antes de ingressar no sistema.”

Por fim, a programação teve conclusão com encontros virtuais restritos às unidades socioeducativas e teve 100% de participação dos adolescentes, onde foram apresentados projetos e experiências culturais desenvolvidas pelos próprios adolescentes, ampliando o alcance das ações e os espaços de participação.

Fonte: Da Redação

Polyana Girardi

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