Pintura feita por 12 artistas indígenas em homenagem a Jaider Esbell - Foto: Fabrício Araújo
“Jaider Esbell: um makuna’imî entre nós” é o nome do livro que homenageia o artista da etnia Macuxi, que se tornou mundialmente conhecido. A obra reúne obras histórias de amigos sobre Jaider Esbell. O material foi lançado no último sábado (16), três dias antes da celebração do Dia dos Povos Indígenas.
Tradicionalmente conhecido como “Dia do Índio”, o termo foi modificado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados para atender uma demanda dos povos originários pelo termo correto: indígena. A proposta partiu da deputada federal Joênia Wapichana (Rede), primeira mulher indígena a ocupar o cargo.
Nascido na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Esbell se tornou um artivista. O termo combina arte e ativismo, pois é exatamente o que o movimento encabeçado por Jaider representa. Trata-se de artistas que praticam e se expressam politicamente através da arte.
Conhecido por pensar e produzir arte pela coletividade dos indígenas, Esbell foi encontrado morto no próprio apartamento em São Paulo em 2021, aos 42 anos e no auge de sua carreira. Ele foi responsável por introduzir mais indígenas na 34ª Bienal de São Paulo. Lideranças de diversas etnias o apontam como um influenciador para as novas gerações que vivem dentro e fora das comunidades.
A professora de Direito da Universidade Federal de Roraima, Priscilla Cardoso Rodrigues, descreve Jaider como “grande articulador e incentivador da arte indígena contemporânea brasileira”. Ela, que foi uma das organizadoras do livro, o aponta como responsável por inserir a arte indígena no cenário ocidental.
“Além de sua atuação nas artes plásticas, era intelectual, escritor, performancer e foi o principal responsável pela construção dos conceitos de artivismo e de arte indígena contemporânea”, descreve Priscilla.
De acordo com Arawak, amigo de Jaider que também participou da criação da obra, a ideia do livro foi reunir textos e remontar a trajetória do ativismo indígena.
“Esse espaço de militância de artivismo político dentro de Roraima também acaba ganhando o Brasil e o mundo. Jaider tinha um rede de artivismo mundial na qual ele tinha uma mobilidade de poder colocar em pauta a questão da política dos povos indígenas no contexto de Roraima, do Brasil e do mundo. Nós tivemos a belíssima ideia de fazer uma homenagem a ele pela sua genialidade e sua generosidade”, disse.
A obra tem como objetivo, segundo Arawak, de ser uma memória viva e materializada da vida de Jaider e marcar a presença da política indígena no Brasil e, especialmente, em Roraima.
“Onde as pessoas que coadunam com nossas ideias possam ter como parâmetro todo nosso trabalho de décadas frente a uma militância sempre ativa contra o Estado, contra a corrupção, contra o garimpo, contra tudo o que há de mais venal dessa violência social produzida contra os povos indígenas”, afirmou.
Conforme Arawak, Jaider foi porta-voz e representante legítimo dos povos indígenas. Ele denunciou as violências sofridas pelo grupo de maneira ímpar através da sua arte.
“Todo o conjunto da obra de Jaider Esbell é uma denúncia contra o Estado, é uma denúncia contra o modelo político, é uma denúncia contra a corrupção, é uma denúncia contra a devastação e a violência social produzida por esse país contra a as populações indígenas. O trabalho de Jaider está permeado desse conteúdo, dessa essência. Toda trajetória do trabalho de Jaider, de luta e de resistência”, pontuou.
Em 2016, Esbell venceu o Prêmio Pipa, um dos maiores prêmios do país no campo das artes visuais. Já em outubro do ano passado, o Centro Georges Pompidou, de Paris, adquiriu duas de suas obras denominadas “Carta ao Velho Mundo” (2018-2019) e “Na Terra Sem Males” (2021).
Em outubro do mesmo ano, ocorreu a inesperada morte de Jaider que impactou todos aqueles que o conheciam. Um trecho do livro declara que após um período de luto e reflexões, a obra de homenagem ao artista marca a retomada das lutas dos artivistas de Roraima.
Fonte: Lara Muniz, jornalista do Roraima em Tempo
São Raimundo, Monte Roraima, Sampaio e Baré se classificaram
Queimas controladas anteriormente autorizadas foram suspensas temporariamente devido ao período de estiagem
Mãe do aluno afirmou que ele só está matriculado nesta escola porque quer que tenha…
PL altera o Código de Processo Penal para impedir que acusados de matar alguém dolosamente…
Criança faz uso do leuprorrelina, medicamento que serve para interromper temporariamente a puberdade em crianças…
Medida foi tomada após Impala comunicar recolhimento voluntário