Cidades

Miss RR Plus Size usa título para incentivar mulheres no combate à violência doméstica

Thays Nayane Cunha, de 28 anos, é jornalista e tem o título de Miss Plus Size de Roraima. Durante sua vida, ela teve que enfrentar diversos desafios. Entre eles, a violência doméstica. Hoje, através das suas redes sociais, ela acolhe mulheres que estão ou que passaram pela mesma situação.

A modelo contou que teve a infância conturbada. Thays foi criada pelo pai e teve contato com a mãe somente aos 10 anos de idade, época em que foi aliciada pelo padrasto. A primeira violência sofrida por ela.

Quando completou 15 anos, para fugir dos atritos com o pai, Thays decidiu sair de casa e foi morar com um namorado. Momento em que enfrentou mais um desafio.

“A violência doméstica começou primeiro com as verbais. A psicológica, que era ‘se tu for, onde tu vai ficar? Com quem tu vai ficar?’. Depois foi pesando sobre o meu corpo, porque eu sempre fui gorda. E aí, a história passou a ser ‘você é gorda, ninguém vai te querer, só eu te quero, ninguém vai querer ficar com você'”, relatou.

Degraus da violência

Para a miss existem degraus da violência doméstica. Ela entende que a vítima sofre com a agressão psicológica que logo depois evolui para a física. Thays estava grávida de quatro meses quando perdeu o filho por conta deste tipo de violência.

“Por causa da agressão, eu perdi o meu primeiro filho. Mas, como a violência começa no degrau da violência psicológica, eu já estava presa naquilo. Eu decidi perdoar pela família, pelo amor que eu sentia por essa pessoa, mas [a violência] não parou”, disse.

Já na segunda gravidez, a jornalista tinha apenas 17 anos e, apesar de não ocorrer agressões físicas durante este período, as psicológicas permaneciam. “Eu não podia fazer grupo de escola, eu não podia conversar com as pessoas”, contou.

Quando Thays completou 18 anos, a pequena Ana Victória, sua filha, já tinha 1 ano de idade. Por amor a ela e com o intuito de protegê-la, a miss decidiu sair de casa só com as roupas do corpo e retornou para a casa do pai.

“Eu consegui ver na minha filha o meu acordar. Eu olhei para ela e pensei assim: ‘gente, se continuar assim, eu não vou ver minha filha crescer. Minha filha não vai ter mãe, a minha filha não vai ter o apoio e vai ficar com um cara violento que, se bate na filha dos outros, com certeza vai bater na própria filha”, falou.

Por outro lado, Ana Victória ainda precisou morar por um período de tempo com o pai e a avó, pois Thays ainda precisava trabalhar e terminar os estudos.

“Eu não tinha esse suporte. O suporte que eu tinha, querendo ou não, era da avó, não era nem o pai que cuidava, era a avó paterna”, destacou.

Projeto e acolhimento

Com os estudos, a jornalista começou a ter contato com várias pessoas e a enxergar que a vida dela não precisava ser daquele jeito.

Durante a pandemia de Covid-19, Thays deu início a um projeto de “lives” em suas redes sociais, onde entrevistava profissionais da Saúde, do Direito e da Psicologia. O intuito era abordar temas voltados para a violência doméstica.

“Foi quando abriu um leque de informações e eu fui saindo disso. E foi quando eu vi que eu precisava fazer esse trabalho, porque foram anos vivendo violência psicológica, anos passando por coisas que nenhuma mulher merece passar para me libertar”, relembrou.

Miss Plus Size

Thays também ingressou no universo da moda e se tornou modelo plus size. Em 2021, ela recebeu o primeiro convite para ser miss. No entanto, ela acabou sofrendo um acidente e, logo em seguida, perdeu o pai.

“Eu tive uns momentos bem difíceis. Como eu falei, eu trabalho todos os dias, a gente não é perfeito, a gente tem recaída, a gente tem momentos em que a gente não acredita na gente, que a gente não vê potencial. Mas, é a questão do autoconhecimento”, pontuou.

Já este ano, ela foi convidada para a 1ª edição Miss Glam Plus Size Brasil 2022 e torce para que dê tudo certo. “Deus está comigo e meu pai está lá em cima também me acompanhando. Vai dar certo!”, exclamou.

O concurso vai ocorrer em novembro, na cidade de Fortaleza, capital do Ceará.

Fonte: Da Redação

Lara Muniz

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