Cidades

Procon Boa Vista alerta sobre venda de cursos que utilizam marcas oficiais da Prefeitura de forma indevida

Na última semana, a Secretaria Executiva de Defesa do Consumidor recebeu uma denúncia sobre um serviço prestado por uma empresa que diz promover cursos preparatórios voltados a crianças que desejam ingressar em escolas militares. Ela utiliza marcas oficiais da Prefeitura de Boa Vista (logotipo de gestão e o Brasão do Município) em anúncios patrocinados nas redes sociais.

A secretária de Defesa do Consumidor, Sabrina Tricot, explicou que uma consumidora fez a denúncia. Ela se deparou com os anúncios que apresentavam os cursos de forma gratuita. Contudo, no ato do cadastro era exigido o valor de R$ 1.600, o que foi pago por ela. Insatisfeita, a mulher entrou em contato com o Procon Boa Vista, pois acreditava que o serviço estava relacionado à Prefeitura de Boa Vista, devido ao uso das marcas oficiais.

“Importante que todos saibam que isso não se trata de um serviço da prefeitura. Estão usando o logotipo institucional e o Brasão do Município. Por isso abrimos a reclamação da consumidora e também encaminhamos o caso ao setor de fiscalização”, explicou a secretária.

Uso das marcas da Prefeitura

Sabrina ressaltou que a utilização de logotipos de gestão e marcas institucionais de uma gestão pública em propaganda de empresas privadas pode induzir o consumidor a acreditar que existe uma parceria, apoio ou endosso por parte da prefeitura ao serviço oferecido. Isso configuraria não apenas uma prática enganosa, mas também o uso indevido de símbolos ou termos que são propriedade do setor público.

“A propaganda nas redes sociais conta como ‘Academia Mirim Gratuita’, ‘cadastre-se participação gratuita’, mas que, na verdade, exige pagamento. Isso claramente se enquadra como propaganda enganosa, segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC) do Brasil. Além disso, o uso de símbolos ou logos oficiais da administração pública em promoções comerciais privadas, sem autorização, é ilegal. E pode ser considerado uma infração administrativa ou até mesmo criminal”, explicou a secretária.

Problema vai além

O uso indevido de símbolos governamentais em publicidade pode ser considerado falsidade ideológica, dependendo do contexto e da legislação específica. Isso porque implica na falsa representação de uma autorização ou vínculo governamental. O Artigo 296, § 1º, III do Código Penal trata da falsificação de documento público e define que comete tal ato pode se enquadrar como uma falsificação de sinal público, configurando crime contra a fé pública. “Isso é, particularmente sério, porque afeta a confiança do público nas comunicações oficiais”, ressalta Sabrina.

Já o Código Civil – Artigos 12 e 18, protegem a imagem das pessoas (naturais e jurídicas), incluindo entidades públicas. O uso não autorizado de imagens ou símbolos de entidades públicas por particulares pode violar essas disposições, implicando possíveis ações cíveis por danos morais ou materiais.

Por fim, há também a Lei de Propriedade Intelectual, cujos artigos 191 e 124 tratam do registro e uso de marcas. “O artigo 124, em particular, proíbe o registro de marcas que reproduzam ou imitem símbolos oficiais sem autorização, enquanto o artigo 191 penaliza a reprodução, imitação ou uso comercial de tais símbolos sem a permissão necessária”, finaliza Sabrina.

Fonte: Da Redação

Lara Muniz

Recent Posts

Prefeitura avança na regularização fundiária e entrega 280 títulos definitivos

Moradores de 21 bairros da capital foram contemplados nessa etapa

7 minutos ago

Prazo para declarar Imposto de Renda começa dia 23 de março; atenção e planejamento são essenciais

Quem declara com antecedência aumenta as chances de receber a restituição mais cedo, alerta contador…

1 hora ago

Mutirão de negociação de dívidas bancárias vai até o dia 31 de março

Negociação pode ser feita diretamente nos canais de atendimento da instituição credora

2 horas ago

Casal que lucrava R$ 300 mil por ano com vendas de drogas é preso em Rorainópolis

Suspeito confessou ser integrante de facção criminosa, e atuava como “companheiro” da organização que distribui…

3 horas ago

Ministério da Saúde lança primeira biblioteca virtual dedicada à saúde dos povos indígenas

Ação vai valorizar a produção de conhecimento relacionada aos povos indígenas, aproximando gestão pública, universidades…

5 horas ago

Escola improvisada de palha e madeira desaba no interior de Roraima e comunidade protesta contra Governo

Desabamento ocorreu durante a madrugada. Vídeos e fotos circulam nas redes sociais

5 horas ago