Cidades

Servidores terceirizados da Maternidade estão há um mês com salários atrasados e voltam a entrar em greve

Os servidores terceirizados da maternidade Nossa Senhora de Nazareth, em Boa Vista, estão há um mês sem receber pagamento e mais uma vez entraram em greve. A mobilização iniciou na última sexta-feira (18).

Conforme uma das servidoras, que não quis se identificar, os atrasos são recorrentes. Ela disse que os pagamentos já chegaram a atrasar por 5 meses. “Sempre aconteceu. Antes ficava até mais tempo. Dois meses, cinco meses atrasado”, disse.

Ainda segundo a mulher, o representante da empresa União Comércio e Serviços LTDA, Ribamar Nogueira, afirmou que está com “os bens bloqueados”.

A servidora relatou que a falta de pagamento prejudica todos os trabalhadores. Uma delas, inclusive, já recebeu ordem de despejo do local onde mora de aluguel.

“Prejudica porque têm muitos funcionários que moram em casa alugada, não é? apartamento… e tem aquela data para pagar. Tem uma funcionária ali que estão pedindo para ela sair, mas ela não tem para onde ir. Não tem como pagar e nem como alugar outro”, contou.

Além disso, a mulher disse que pais e mães de família também são prejudicados com a situação.

“Quem tem filho também fica difícil. Como vai manter as coisas dentro de casa? Pagar a conta de luz, comprar gás? Não tem como a gente ficar esperando um mês, dois meses para pagarem a gente”, acrescentou.

De acordo com a mulher, os funcionários estão sendo impedidos de assinar o ponto e não os deixam entrar no prédio para beber água ou ir ao banheiro.

Outras greves dos servidores

Anteriormente, em outubro de 2021, os servidores da maternidade denunciaram ao Roraima em Tempo o atraso de quase três meses no pagamento dos salários.

Já em abril, os servidores também entraram em greve por falta de pagamento dos salários. Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Prestadoras de Serviços de Obras de Roraima (Siemaco), Alexandre Grossi, os atrasos ocorrem desde janeiro.

Na ocasião, os terceirizados denunciaram que estavam sendo ameaçados por um responsável pelo setor que afirmou que quem aderisse à greve ficaria sem almoço e com falta.

A empresa

A União Comércio e Serviços Ltda tem como sócios os irmãos Gilmar Pereira de Araújo e Antônia Pereira de Araújo. Eles são parentes diretos do senador Mecias de Jesus (Republicanos).

De acordo com denúncia enviada à redação os irmãos Gilmar e Antônia Pereira de Araújo mantêm uma vida muito simples, que não condiz com o volume de dinheiro recebido pela empresa.

Em reportagem publicada em dezembro de 2018, o Roraima em Tempo mostrou que Gilmar residia em São João da Baliza. Ao passo que ele vivia da atividade agropecuária. Em uma das fotos encaminhadas à redação, é possível ver sua esposa almoçando em uma residência muito humilde.

O mesmo acontecia com a sócia Antônia Pereira que residia em uma casa simples no bairro Cambará.

Por outro lado, pesquisas feitas no Diário Oficial do Estado (DOE) mostram que a empresa pode ter recebido mais de R$ 100 milhões entre 2014 e 2020 do governo.

Nesse período, Mecias era aliado da então governadora Suely Campos. Mas nas eleições passou a apoiar Antonio Denarium (PP) que foi eleito governador em 2018.

Empresa investigada

A firma mantém contrato com a Sesau e acabou sendo investigada na CPI da Saúde. É que ela já tinha contrato firmado para limpeza da maternidade desde 2016. No entanto, no DOE de 30 de abril de 2020, constava um termo aditivo que permitia que a empresa recebesse mais R$ 5 milhões para realizar o mesmo serviço.

Desse modo, a investigação desse contrato, inclusive, contribuiu para um pedido de impeachment do governador Antônio Denarium.

Citados

Em nota, Coordenação Geral de Administração da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que todas as notas de serviço da União Comércio e Serviço, que estavam em atraso, foram devidamente quitadas e o pagamento encaminhado para a empresa.

Destacou ainda que a Sesau tem prazo estabelecido em cláusula contratual para pagamento em até 30 dias úteis após o devido protocolo da nota, não podendo a empresa condicionar o pagamento de servidores em dia, ao protocolo de nota na pasta.

O Roraima em Tempo também procurou o representante da empresa e aguarda resposta.

Fonte: Da Redação

Lara Muniz

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