Foto: Ascom Sebrae-RR
Como transformar frutos da floresta, antes consumidos apenas pela própria família, em um negócio capaz de gerar renda para comunidades e fortalecer a economia local? A resposta começa na trajetória da RoraiFrut, empresa roraimense que nasceu de um pequeno empreendimento familiar e hoje se consolida como referência no aproveitamento sustentável de frutos amazônicos.
A origem do negócio remonta à chegada dos pais de Isabel Garcia a Roraima, após migrarem do Amazonas. A família passou a coletar frutos nativos como açaí, buriti, bacaba e patauá, inicialmente para consumo próprio. Com o tempo, o excedente começou a ser vendido de forma informal, impulsionado pela qualidade dos produtos e pela procura crescente.
Com o passar dos anos, a atividade ganhou estrutura e organização. Hoje, a empresa é conduzida por Isabel Garcia, sócia-administradora; Gabriella Carvalho, diretora de Gestão de Marketing e Comercial; e Edson Bernardes, diretor de Gestão de Produção. A nova gestão ampliou o portfólio de produtos, apostou no marketing digital e passou a estruturar uma cadeia produtiva baseada na sustentabilidade e na valorização da biodiversidade amazônica.
Segundo Gabriella Carvalho, a empresa nasceu de forma simples, mas com grande potencial de crescimento.
“A RoraiFrut surgiu de um negócio familiar voltado à subsistência, iniciado pelos pais da Isabel quando vieram do Amazonas para Roraima. Eles começaram consumindo os frutos da região e depois passaram a vender de forma informal. Com o tempo, percebemos que havia uma grande oportunidade de estruturar essa cadeia produtiva e levar os frutos da Amazônia para mais consumidores”, explicou.
Nos primeiros anos, um dos maiores desafios foi estruturar toda a operação comercial praticamente do zero. A empresa precisou organizar desde a coleta dos frutos na floresta até o processamento e a venda final.
Também foi necessário desenvolver métodos para garantir qualidade e segurança alimentar, já que não havia tecnologias apropriadas disponíveis no início da operação.
Com o crescimento da demanda, outro desafio surgiu: envolver mais pessoas na coleta extrativista. Isso exigiu um trabalho de orientação sobre práticas sustentáveis, principalmente para garantir que a exploração dos frutos não causasse impactos ambientais.
“A gente também precisou fazer um trabalho de conscientização com os extrativistas sobre a importância de respeitar o tempo de maturação dos frutos e evitar práticas que possam prejudicar as árvores”, destacou Gabriella.
Já na fase mais recente da empresa, os desafios passaram a ser administrativos. Entre eles estão a adaptação à gestão empresarial, a digitalização de processos, assim como a organização logística necessária para acompanhar o crescimento do negócio.
Um dos principais diferenciais da RoraiFrut está na forma como organiza sua cadeia produtiva. A empresa trabalha diretamente com extrativistas e produtores locais, orientando sobre práticas que respeitem o ciclo natural das espécies.
A coleta sustentável evita, por exemplo, a derrubada de árvores para facilitar o acesso aos frutos – uma prática que ainda ocorre em algumas regiões. “Se o extrativista respeitar a época da safra e fizer a coleta de forma correta, ele consegue manter uma fonte de renda todos os anos. Por isso a gente trabalha muito essa conscientização com nossos fornecedores”, explicou Gabriella.
A empresa também mantém um sistema de rastreabilidade que acompanha todo o processo, desde o local de coleta até as condições de transporte das frutas. O objetivo é garantir que o produto chegue em boas condições para o processamento.
Entre as orientações repassadas aos fornecedores está o uso de sacos de fibra novos e lonas limpas durante o transporte, o que ajuda a conservar melhor os frutos e reduzir impactos ambientais.
Outro ponto importante é o aproveitamento de resíduos gerados no processamento. Parte desse material já vem sendo utilizada por produtores rurais como complemento na alimentação de animais, substituindo parte da ração tradicional.
A trajetória da RoraiFrut também está ligada a programas de inovação e empreendedorismo que ajudaram a estruturar o modelo de negócios da empresa.
Em 2022, por exemplo, a empresa participou do Inova Amazônia, programa que marcou um ponto de virada na organização e no crescimento do empreendimento.
“O Inova Amazônia ajudou a gente a entender melhor o nosso modelo de negócio, identificar desafios e desenvolver soluções para fortalecer a cadeia produtiva de frutos nativos. Além disso, trouxe muita visibilidade e nos conectou com empreendedores de outros estados”, afirmou Gabriella.
O Sebrae também teve papel importante nesse processo. As sócias, que são engenheiras agrônomas e vieram da área de pesquisa, encontraram na instituição apoio para transformar conhecimento técnico em um negócio estruturado.
A empresa também participou de iniciativas como o ALI (Agentes Locais de Inovação) e o Move+, programas que contribuíram para fortalecer a gestão e ampliar o acesso a novos mercados.
Do mesmo modo, com a participação nesses programas e o fortalecimento da gestão, a RoraiFrut conseguiu ampliar significativamente sua presença no mercado local.
A entrada no Move+, por exemplo, impulsionou as vendas no modelo B2B, voltado para negociações entre empresas.
De acordo com Gabriella, esse processo também ajudou a ampliar o alcance da marca dentro da própria capital.
“Antes do Move+, a gente tinha muita dificuldade de alcançar consumidores em bairros mais centrais de Boa Vista. Hoje nossos produtos chegam praticamente a toda a cidade”, contou.
O crescimento também foi refletido no faturamento da empresa. Nos últimos anos, a RoraiFrut registrou aumento de quase 50% nas receitas, resultado que permitiu ampliar a produção e organizar melhor o estoque.
Em 2025, por exemplo, a empresa conseguiu formar um estoque de três toneladas de polpas de açaí, ou seja, garantindo a oferta do produto mesmo durante o período de entressafra.
Além do crescimento do negócio, a RoraiFrut também tem impacto direto na geração de renda para comunidades que vivem do extrativismo.
Por meio de parcerias com fornecedores locais, a empresa garante renda para famílias que atuam na coleta sustentável de frutos amazônicos.
Somente em 2025, a RoraiFrut movimentou mais de meio milhão de reais em operações com extrativistas, valor que tende a crescer à medida que o negócio se expande.
Ao transformar a matéria-prima em polpas e outros produtos, a empresa também contribui para a industrialização local, agregando valor aos frutos da Amazônia e fortalecendo a economia regional.
“Todos os nossos passos tiveram apoio do Sebrae. Primeiro com o ALI, que abriu portas para a inovação dentro da empresa, depois com o Inova Amazônia, que trouxe uma visão estratégica maior, e mais recentemente com o Move+, que ajudou a estruturar nosso mercado e ampliar as vendas”, concluiu Gabriella.
Fonte: Da Redação
Guia aborda temas como registro de candidatura, financiamento, comunicação, segurança digital e violência política
Imagens que circulam nas redes sociais mostram pessoas recolhendo parte do material que compunha a…
Programa malicioso rouba dados bancários de usuários
Investigações identificaram um imóvel utilizado como ponto de armazenamento e de distribuição de entorpecentes
Portaria está publicada no Diário Oficial da União
Para garantir segurança e bem-estar dos condutores, o trecho também será recapeado