Mulheres são expostas a maiores riscos ao saírem de um relacionamento abusivo

Vale ressaltar que não existem relacionamentos perfeitos, no entanto, nenhuma relação existe para machucar, seja fisicamente, verbalmente ou emocionalmente

Mulheres são expostas a maiores riscos ao saírem de um relacionamento abusivo
Foto: Divulgação

Os relacionamentos abusivos ocorrem quando uma ou as duas pessoas da relação têm comportamentos de abuso físico, emocional, sexual, patrimonial ou moral com o(a) parceiro(a). Esse tipo de abuso geralmente inicia com atitudes brandas, pequenas mentiras e progride para atos extremos como as agressões. Ficar atento(a) aos sinais é uma dica importante. Muitas vezes as vítimas desse tipo de relacionamento sequer chegam a perceber a situação. Em atendimentos no consultório é muito comum que as vítimas acreditem que é normal conviver sob constante desrespeito. Vale ressaltar que não existem relacionamentos perfeitos, no entanto, nenhuma relação existe para machucar, seja fisicamente, verbalmente ou emocionalmente.

Os sinais são diversos, podendo ir de um ciúme excessivo/possessivo, atitudes controladoras que invadem a privacidade do(a) parceiro(a), assim como o controle financeiro, críticas de como a outra pessoa se apresenta socialmente na intenção de controlar a identidade, controle sobre a vida profissional da pessoa. Um sinal bem visível de um relacionamento abusivo são os abusos físicos, onde a pessoa abusadora em busca de controlar a vítima, pode partir para a agressão física.

Abuso psicológico

Outro tipo de abuso que não deixa marcas físicas é o psicológico, o qual é bastante danoso, já que suas marcas são deixadas no emocional da vítima e isso pode persegui-la a vida toda, afetando relacionamentos futuros. Outro sinal claro de um relacionamento abusivo é a chantagem emocional. O abusador usa ameaças, sejam veladas ou explícitas, para controlar a vítima, inclusive, buscando isola-la do seu círculo familiar/social.  É comum ouvir coisas como: “Se você me deixar, eu faço uma loucura” e é aí que começa o perigo, porque isso é um aviso do que pode acontecer após a separação.

Estatisticamente as mulheres são as maiores vítimas desses relacionamentos abusivos, especialmente quando resolvem dar um basta e sair da relação. De acordo com publicação do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública ano 2025, 79,8% dos crimes registrados contra mulheres tem como autores os companheiros e/ou ex-companheiros (60,7% companheiros e 19,1% ex-companheiros). Outro dado alarmante é que 64,3% dos assassinatos dessas vítimas se deu dentro da própria casa, uma média de 4 mulheres por dia só no ano de 2025.

Pesquisas

De acordo com diversas pesquisas realizadas sobre esse tema, as mulheres são expostas a maiores riscos quando saem do relacionamento abusivo, já que enquanto permanecem sob o controle do abusador a violência extrema fica contida, porém, ao primeiro sinal de que a mulher vai pedir separação, e mesmo, chega a se separar, então essa espécie de contenção do abusador é deixada de lado e ele parte para perseguição, violência e até mesmo o assassinato da ex-companheira, já que o abusador não aceita “perder o objeto de controle” que ele achava ser dele. Infelizmente é assim que os abusadores em sua imensa maioria pensam, ou seja, a mulher é um objeto que lhes pertence.

Se proteja e entenda o risco após sair de um relacionamento abusivo. Evite a falsa sensação de auto segurança, ou seja, que você não deve temer o ex-companheiro achando que ele nada vai fazer de grave contra sua pessoa.  Comece a pensar e agir racionalmente. Entenda que a violência tende a escalonar e pode afetar sua proteção física e emocional.  Acredite sim nos riscos, sinta medo e se proteja. Mude sua rotina e evite lugares ermos com pouca movimentação de pessoas. Jamais aceite um encontro a sós com o abusador, de preferência nem aceite essa aproximação, faça uso da lei pedindo Medidas Protetivas.

Se esses sinais relatados são comuns no seu relacionamento, tome cuidado e busque imediatamente apoio de profissional da Psicologia o quanto antes para sair dessa relação. Os profissionais da Psicologia são aptos para lhe ajudar nessa libertação de um relacionamento opressor/abusivo e orientar na busca de seus direitos de se proteger contra o abusador.

Hismayla PinheiroHismayla Pinheiro é psicóloga clínica e especialista em avaliação psicológica com mais de 7 anos de experiência em consultório. Por aqui ela traz orientações valiosas nesse divã virtual de como manter sua saúde mental. Agende sua consulta: (95) 99144-1131.

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