Polícia

Investigação da Polícia Federal aponta que empresa investigada por desvio na Uerr sacou R$ 55 milhões no ano eleitoral de 2022

Um documento ao qual o Roraima em Tempo teve acesso nesta segunda-feira, 5, mostra que a empresa investigada pela Polícia Federal (PF) por desvio milionário na Universidade Estadual de Roraima (Uerr) sacou mais de R$ 55 milhões no ano de 2022, quando ocorreram as eleições para o Governo do Estado.

Os maiores saques, que somam R$ 27 milhões, aconteceram entre agosto e setembro daquele ano, meses em que, de fato, ocorreu a campanha eleitoral.

Além disso, uma tabela do Fiplan (sistema financeiro do Governo de Roraima) mostra os orçamentos da Universidade Estadual nos anos de 2021, 2022 e 2023. Conforme o documento, em 2022, a Uerr recebeu R$ 94,4 milhões a mais por meio de abertura de crédito. O orçamento inicial para aquele ano era de R$ 64,1 milhões. No entanto, com o acréscimo, a universidade fechou o ano com R$ 158.620.465,88, um acréscimo de 147,35%.

Veja:

Investigação

A Polícia Federal apurou a movimentação de cerca de R$ 130 milhões pela empresa 3D Engenharia entre janeiro de 2022 e agosto de 2023.

De acordo com a apuração, nesse período a empresa sacou pouco mais de R$ 67 milhões e transferiu quase R$ 16 milhões eletronicamente para os proprietários e para outras três empresas ligadas a eles.

No dia 17 de agosto de 2023, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara de Organizações Criminosas da Justiça Estadual. A PF obteve informações que indicariam o saque de um possível pagamento de propinas relacionado à contratação de uma empresa de engenharia.

Desse modo, os policiais cumpriram os mandados na empresa e na casa do irmão de um dos sócios. Em um dos locais, os agentes encontraram R$ 3,2 milhões que estavam escondidos em sacos de lixo.

Em desdobramento, quinze dias depois, a PF deflagrou a Operação Harpia na sede a Uerr, onde apreendeu documentos e equipamentos. No dia 6 de setembro, o então reitor Régys Freitas pediu na Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas a anulação do mandado de busca e apreensão.

Órgão de controle

No dia 1º de janeiro de 2024, o governador Antonio Denarium (Progresistas) nomeou Régys Freitas como controlador-geral do Estado. A nomeação ocorreu após o fim de seu mandato como reitor da Uerr.

Com o novo cargo, o advogado passou a chefiar toda a equipe que realiza auditorias nos processos licitatórios do Governo. A Controladoria-Geral do Estado (Coger) também é responsável pela condução à transparência pública.

Em 8 de abril deste ano, Régys foi alvo de uma nova operação da PF. Os gentes cumpriram mandados de busca e apreensão, assim como o bloqueio de quase R$ 110 milhões dos investigados ligados ao contrato com a empresa 3D Engenharia e a Uerr.

Após o escândalo o governador Antonio Denarium exonerou o então controlador-geral.

A PF havia pedido a prisão de Régys. A Justiça não acatou, mas determinou o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas:

  • Proibição de acesso aos órgãos da administração pública direta nas esferas estadual e municipal;
  • Proibição de manter contato com os demais investigados;
  • Informação à e manutenção de endereço domiciliar e telefone atualizado;
  • Proibição de ausentar-se da Comarca sem autorização da Justiça;
  • Recolhimento domiciliar no período noturno das 22h À 06h e nos dias de folga, finais de semana e feriados;
  • Recolhimento do passaporte.

Além do monitoramento eletrônico com tornozeleira, a Justiça proibiu o ex-controlador de contratar, ser nomeado ou continuar no exercício de cargo comissionado e/ou político, licitar com o Poder Público em todas as suas esferas. Além disso, ele também está proibido de acessar qualquer sede, campus ou prédio da Uerr.

Fonte: Da Redação

Rosi Martins

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