Polícia

PF diz não haver indícios de violência recente em comunidade Yanomami, mas segue com investigações

O delegado da Polícia Federal (PF) Daniel Pinheiro Leite Pessoa Ramos, responsável pela investigação da denúncia sobre o estupro e morte de uma adolescente na Terra Yanomami, afirmou nesta sexta-feira (6) não haver indícios de violência recente na comunidade Aracaçá.

As investigações da denúncia devem seguir o protocolo e continuar por 30 dias, segundo Ramos. Ele afirma que não houve relato de moradores sobre violência, como estupros ou mortes de indígenas.

“A investigação é direcionada para saber se houve estupro seguido de morte. A investigação vai nesse sentido”, disse Ramos.

Sobre as buscas pelo corpo de uma criança de colo, que os Yanomami afirmam ter caído no rio, a PF disse não ter chegado a fazer buscas “por conta de onde veio o surgimento” da informação.

No dia 28 de abril, dois dias após as denúncias, a PF já havia afirmado que não havia indícios sobre o ataque. No entanto, durante coletiva nesta sexta, o delegado Ramos afirmou que em sobrevoo no dia 27, já tinham avistado uma maloca queimada.

A denúncia

Júnior Hekurari, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana (Condisi-YY) relatou em vídeo no dia 25 de abril, que a menina e a mãe foram alvos de uma tentativa de sequestro. A mulher conseguiu se salvar, mas uma criança ainda caiu do barco no Rio Uraricoera e os Yanomami até então não tinham notícias sobre ela.

Junior ainda disse que a adolescente era sobrinha da mulher que estava com a criança. Após ser arremessada do barco, a mãe conseguiu nadar e se salvar.

Além do vídeo, o caso também foi informado pelo Condisi-YY em ofício ao Distrito de Saúde Indígena, à Secretaria Especial de Saúde Indígena, à Funai, à Polícia Federal e ao procurador da República, Alisson Marugal.

O presidente do Condisi-YY criticou a omissão do Governo Federal diante da invasão garimpeira na região. Para Júnior, a situação representa a extinção do povo Yanomami.

“A Polícia Federal já está sabendo, o Exército já está sabendo. Nós já fizemos de tudo, denunciamos, fizemos relatório com o clamor das comunidades e o Governo tem sido muito negligente com os Yanomami. Eles são omissos e irresponsáveis e até agora não fizeram absolutamente nada para proteger a população.  Os Yanomami estão sendo extintos pelos garimpeiros. Os invasores entram nas comunidades, ameaçam, estupram as mulheres e matam as crianças. É lamentável!” disse.

Fonte: Da Redação

Fabrício Araújo

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