Terra Yanomami em Roraima é a maior reserva do Brasil - Divulgação/Hutukara Associação Yanomami
O Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Yek’wana (Condsi-YY) denunciou a falta de assistência médica na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
O Conselho enviou a denúncia à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e ao Ministério Público Federal (MPF) na última sexta-feira (1º).
Quem assina o documento é o presidente do órgão, Júnior Hekurari. De acordo com o oficio, um senhor de 50 anos morreu com malária na comunidade Macuxi Yano. O quadro dele piorou nos últimos quatro dias e na sexta-feira ele faleceu.
Ainda conforme o documento, o óbito ocorreu por negligência, já que no dia 25 de setembro as equipes médicas foram retiradas do local, sem diálogo com a comunidade.
Ao Roraima em Tempo, Hekurari conta que a malária continua se alastrando entre os Yanomami e não há tratamento para todos.
“Na região do Parima tem 690 pessoas e 600 estão com malária. Toda semana estão morrendo de malária, entre adultos e crianças. Isso por falta de assistência de saúde nas comunidades. Ontem me informaram que muita gente está com malária e pneumonia e estão sem tratamento”, revela.
Além disso, o ofício detalha que o Distrito de Saúde Especial Indígena Yanomami e Yek’wana (Dsei-YY) tem minimizado o problema de saúde no território. Conforme Júnior, quem retirou as equipes foi a coordenação do órgão.
“Me informaram que um adolescente de 14 anos pegou um perfume de um funcionário, mas as lideranças devolveram o perfume a ele e, mesmo assim, o coordenador tirou o equipe”, conta.
Por conta disso, o Conselho pediu aos órgãos federais que intervenham na saúde Yanomami.
“Solicitamos que as instituições públicas cumpram o seu papel legal e constitucional, em todos os níveis federativos, pois é inadmissível que os Yanomami fiquem sem assistência por questões meramente fúteis”, diz.
Procurado pela reportagem, o coordenador do Distrito Yanomami, Rômulo Pinheiro, disse que a comunidade citada sempre teve atendimento de saúde, com equipe fixa.
Contudo, de acordo com ele, na semana passada os indígenas ameaçaram a equipe. Ele não detalhou que situação ocorreu.
“Os funcionários solicitaram a saída, o presidente foi formalmente comunicado sobre essa situação. Ele deveria ter se deslocado até a comunidade para intervir, mas infelizmente ele não foi”, alegou.
Ainda segundo Pinheiro, a comunidade tem histórico de conflitos, e lembrou de recente caso em que a equipe de saúde intervir para salvar um indígena.
“Nós iremos nesta semana verificar como está o ambiente para que possamos ter a segurança de reenviar a equipe de saúde, inclusive, mais uma vez, o presidente foi convocado para ir junto, mas não posso afirmar se ele irá”, finalizou.
Por Samantha Rufino
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