Saúde

Mais de 700 crianças Yanomami foram internadas no Hospital da Criança em 2022

O Ministério Público Federal (MPF) estimou que mais de 10 mil crianças, de um total de 14 mil, deixaram de receber remédios, o que agravou o quadro de subnutrição entre essa população.

Conforme o órgão, a falta de medicamentos básicos, como aqueles para combater verminoses, aceleraram a tragédia Yanomami.

O problema da subnutrição infatil no território Yanomami é registrado pelo menos desde 2009. Mas a situação se agravou a partir de 2017 e atingiu o auge em 2022. Dessa forma, por conta da falta de estrutura das unidades de saúde indígena, crianças precisaram ser removidas para atendimento de alta complexidade em Boa Vista.

Parte desses atendimentos ocorreu no Hospital da Criança Santo Antônio, que somente em 2022, registrou 703 internações de crianças Yanomami. De acordo com informações da unidade, as principais causas das internações foram diarréia aguda, intoxicação alimentar, desnutrição grave, e ainda pneumonia e malária.

Denúncias

O Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana relatou por diversas vezes a falta de medicamentos e assistência médica na Terra Indígena Yanomami entre os anos de 2021 e 2022.

Em junho do ano passado, por exemplo, a entidade divulgou sobre a morte de três crianças de 3 anos na comunidade Tirei por diarréia, pneumonia grave, desidratação e verminose. À época, o presidente do Conselho, Junior Hekurari, relatou então que havia um surto das doenças na região. E que os moradores ainda não haviam recebido atendimento da equipe de saúde.

Desvio de recursos

Em novembro, investigação do Ministério Público Federal revelou o esquema de desvio de recursos públicos federais. Apenas 30% dos medicamentos contratados pelo Distrito Sanitário de Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y) chegavam de fato às comunidades indíngeas.

Com o apoio de agentes públicos, os recebimentos das entregas seriam fraudados e indicariam o cumprimento integral da contratação.

Os principais crimes investigados são fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informação. A soma de penas para esses crimes pode ultrapassar 35 anos de reclusão.

Fonte: Rádio 93 FM

Lara Muniz

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