Saúde

Paciente com inflamação rara na mama relata sofrimento e faz ‘vaquinha’ para custear tratamento e cirurgia de R$ 40 mil em RR

Hevilyn Maria Alves de Souza, de 34 anos, recebeu diagnóstico de uma inflamação rara e crônica na mama chamada mastite granulomatosa. Há oito meses, ela tem enfrentado dor intensa, secreção de pus e inchaço no seio.

A primeira crise aconteceu em 2015. A mulher lembra que não estava amamentando, não sofreu nenhum trauma físico e não tinha fatores de risco. “Fiz todo acompanhamento certinho. Quando saiu a mastite, pus pelo bico, ficou normal”, conta. Em 2023 a mastite voltou, mas logo desapareceu. Em dezembro de 2024, a inflamação recomeçou e, desde então, só tem piorado. “Eu já amanheci com o seio doendo, com o seio inflamado e desde então minha vida só desandou”, disse.

Embora com dores intensas, secreção e indicação de médico da Maternidade Nossa Senhora de Nazareth, Hevilyn precisou brigar e registrar reclamação para conseguir internação na unidade.

“Fui para a maternidade e conheci um médico, que falou que a minha situação era crônica. Por ser uma mastite crônica, ele passou um antibiótico, porque precisava desinflamar. Ele falou que eu tinha que voltar para ser internada. No dia que eu fui para ser internada, a médica não queria me internar e me tratou super mal. Fui na ouvidoria e só aí que eu fui internada”, contou.

Perda da mama

Após um exame, a paciente então recebeu orientação para procurar o Centro de Referência. Em janeiro, ela fez um ultrassom na unidade que classificou o caso como BI-RADS 1, baixo risco de malignidade. No entanto, a inflamação evoluiu rapidamente. Em março, Hevilyn realizou um novo ultrassom que, dessa vez, classificou a mastite como BI-RADS 4, grau de suspeita de câncer.

Após o novo diagnóstico, a mulher chegou a ficar internada em maio por 9 dias na maternidade. Dois dias depois da alta, o problema voltou a piorar, ficando uma semana inteira com pus saindo da mama.

Devido ao agravamento da inflamação, Hevilyn deve perder a mama afetada com o problema. Mas, mesmo após oito meses, ainda aguarda uma reposta definitiva em relação ao tratamento.

O Roraima em Tempo entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) para esclarecimento. E nota, a Pasta disse que a informação sobre dificuldade de acesso ao tratamento relatada pela paciente não procede. E que todo o acompanhamento médico da mesma está sendo realizado conforme os protocolos clínicos e administrativos vigentes, com consultas e exames em andamento.

Disse ainda que, de acordo com o Sistema de Regulação (Sisreg), responsável pelo controle e agendamento de procedimentos no SUS, a paciente vem realizando exames de imagem e biópsias desde dezembro de 2024, quando iniciou o acompanhamento com médico mastologista da rede estadual.

Por fim, informou que há agendamento confirmado para nova biópsia no dia 15 de julho, próxima terça-feira, data previamente informada à paciente. Somente após a análise do resultado desse exame será possível definir a necessidade ou não de procedimento cirúrgico.

Vaquinha

Cansada de esperar pelo Estado e sem conseguir trabalhar, ela decidiu abrir uma “vaquinha” para arrecadar dinheiro e, assim, conseguir custear seu tratamento e cirurgia na rede privada.

“Se no SUS eles não querem fazer nada, eu tenho que buscar os meios e para fazer a retirada de uma mama aqui em Boa Vista é 40 mil reais. Eu não tenho esse dinheiro. Nem trabalhando eu estou. Eu dependo do BPC da minha filha e de doações. Eu estou há oito meses nessa situação, impedida de trabalhar por um problema de saúde que se agravou”, desabafou.

Quem tiver interesse em contribuir, pode enviar qualquer valor para a chave Pix: (95) 99147-9983.

Fonte: Da Redação

Lara Muniz

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