Pesquisadores criam pílula que detecta se pacientes tomaram remédio

Tecnologia ingerível envia sinal após a ingestão e pode salvar tratamentos de alto risco

Pesquisadores criam pílula que detecta se pacientes tomaram remédio
Foto: Getty Images via Canva

Esquecer de tomar um remédio pode parecer inofensivo, mas, em muitos casos, essa falha compromete tratamentos inteiros e coloca vidas em risco. Pensando nesse desafio global, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram uma pílula inteligente capaz de confirmar, de forma discreta e segura, que houve a ingestão do medicamento. 

A inovação une engenharia, medicina e tecnologia sem fio para enfrentar um dos maiores gargalos da saúde moderna: a baixa adesão aos tratamentos medicamentosos.

Pílula se comunica com o mundo exterior

Diferentemente de comprimidos convencionais, essa nova cápsula possui uma antena biodegradável de radiofrequência, integrada diretamente ao medicamento. Poucos minutos, a pílula emite um sinal sem fio. Em seguida, seus componentes se degradam de forma segura dentro do organismo.

Além disso, o sistema está projetado para funcionar com medicamentos já existentes, sem alterar sua composição ou eficácia, o que amplia significativamente seu potencial de aplicação clínica.

Por que confirmar a ingestão é tão importante?

não adesão à medicação é responsável por centenas de milhares de mortes evitáveis todos os anos, além de gerar custos bilionários para os sistemas de saúde. Em tratamentos rigorosos, uma única dose esquecida pode ter consequências graves.

Entre os grupos que mais podem se beneficiar dessa tecnologia estão pacientes que dependem de esquemas terapêuticos precisos, como:

  • Pessoas transplantadas que utilizam imunossupressores
  • Pacientes com tuberculose ou HIV
  • Indivíduos com stents cardiovasculares
  • Pessoas com condições neuropsiquiátricas que dificultam a regularidade do tratamento

Como funciona a tecnologia ingerível

A cápsula é composta por uma estrutura. Sendo assim, garante segurança e eficiência. Seus principais elementos incluem:

  • Antena biodegradável de zinco e celulose
  • Revestimento externo que bloqueia sinais antes da ingestão
  • Um microchip de radiofrequência que atravessa o trato digestivo naturalmente
  • Degradação completa dos materiais em poucos dias, por exemplo.

Após a dissolução do revestimento no estômago, a antena entra em contato com um leitor externo e transmite a confirmação da ingestão, geralmente em até 10 minutos.

Evidências científicas e próximos passos

Assim, a tecnologia está descrita no estudo “Bioresorbable RFID capsule for medication adherence assessment”, publicado na revista científica Nature Communications. O trabalho é pela Mehmet Girayhan Say et al.

Testes pré-clínicos mostraram que o sinal pode ser detectado a até 60 centímetros de distância, abrindo caminho para integração futura com dispositivos vestíveis e sistemas de monitoramento remoto.

Um avanço promissor para a medicina personalizada

Essa pílula inteligente representa um passo relevante rumo à medicina personalizada e conectada, permitindo que profissionais de saúde acompanhem tratamentos com maior precisão e intervenham rapidamente quando necessário. 

Ao reduzir falhas humanas e melhorar a adesão, a tecnologia tem potencial para salvar vidas, otimizar terapias e transformar a relação entre pacientes e medicamentos.

Fonte: Portal R7

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