Lamentável
A Universidade Estadual de Roraima (UERR) foi avaliada com nota 2 no curso de Medicina no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) em 2025. Apenas 51,7% dos alunos atingiu o nível mínimo de desempenho na prova. O Exame avaliou 351 cursos de Medicina no país. E como resultado, a Universidade fica sujeita a um processo de supervisão, inclusive com a aplicação de diferentes medidas cautelares. A situação é lamentável.
Crise
A UERR acumulou, nos últimos anos, um histórico de crises que têm como marco central a gestão do ex-reitor Regys Freitas. Sua passagem pelo comando da instituição chegou a ser alvo de investigações da Polícia Federal (PF) com várias operações como a Operação Cisne Negro, que apurou um suposto esquema de fraudes em contratos milionários. Conforme as investigações, o grupo investigado teria atuado no direcionamento de licitações, superfaturamento de obras e serviços, além de desvio de recursos públicos.
Organização criminosa na UERR
A Polícia Federal apontou indícios de organização criminosa, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Durante o cumprimento de mandados, as equipes policiais apreenderam dinheiro em espécie, joias, relógios de alto valor e moedas estrangeiras, além de bloqueio judicial de bens. De acordo com a PF, o prejuízo causado pelo grupo teria sido de mais de R$ 100 milhões. Vale lembrar que a Operação Cisne Negro foi desdobramento da Operação Harpia que ocorreu em 18 de agosto de 2023, quando a a PF apreendeu R$ 3,2 milhões na casa do irmão de um dos sócios da empresa investigada. A quantia estava guardada em sacos de lixo.
Fraude em vestibulares
Além disso, outro foco de apuração foi a chamada Operação Meritum, que investigou suspeitas de fraude em vestibulares e concursos públicos ligados à universidade. Conforme a Polícia Federal, havia indícios de vazamento de provas, favorecimento de candidatos e manipulação de processos seletivos, principalmente ligados ao vestibular de Medicina. Regys Freitas e familiares foram, inclusive, alvos de mandados de busca e apreensão nesse inquérito. Em abril de 2023, uma reportagem especial da Rede Record mostrou que a esposa de Régys passou em 1º lugar para Medicina na UERR.
Justiça determinou exoneração
Mesmo com os escândalos e investigações, Régys Freitas concluiu seu mandato de reitor da UERR tranquilamente. Logo após, o governador Antonio Denarium o nomeou como controlador-geral do Estado e pediu à ALE-RR a criação de uma lei que daria “superpoderes” ao controlador. Os escândalos e operações da PF continuaram até que o então controlador do Estado foi preso e a Justiça determinou sua exoneração. Depois, disso, ele passou a usar tornozeleira eletrônica.
Quem é Regys
Regys também é ex-policial civil e trabalhou na divisão de entorpecentes. No entanto, ele deixou a Polícia Civil para ocupar um cargo de confiança no Ministério Público Federal (MPF-RR), onde trabalhou com o procurador da República Ígor Miranda, como motorista e segurança. Contudo, um ano depois, em 2015, Regys foi nomeado reitor da Uerr. À época, ainda não havia eleição para a escolha do dirigente da instituição.
Já no cargo de reitor, Freitas recebia o salário de R$ 32 mil. Em 2018, ele recebia o salário de Policial Civil. Após ter uma promoção negada, ele processou a instituição policial. No pedido que fez à Justiça, ele anexou sua avaliação profissional como reitor. No documento, todos os quesitos de desempenho haviam recebido nota 10. Além disso, tudo assinado pelo próprio reitor. No entanto, a Corregedoria negou o pedido, já que ele não trabalhava mais na polícia. Em contrapartida, a 2ª Vara da Fazenda Pública aceitou o pedido, pois ele recorreu e um desembargador votou a seu favor.
Aumento de patrimônio do reitor
O patrimônio de Regys também aumentou após ele ocupar o cargo de reitor. A mansão em que ele reside, por exemplo, em um bairro tradicional de Boa Vista, está avaliada em R$ 3 milhões. Além disso, na garagem, havia dois carros. O valor em média dos modelos é de R$ 500 mil. A reportagem da Rede Record apurou na época que, nos últimos 12 meses, o reitor também havia comprado cinco imóveis. Entre eles um terreno às margens do rio Branco. A propriedade vai até a faixa de areia e foi comprada por R$ 350 mil em março de 2022. Régys também comprou os terrenos próximos à sua mansão. Além disso, o reitor ela possuía duas aeronaves de pequeno porte que estavam guardadas em um condomínio de luxo.
Da Redação


