Politicagem e perseguição na Polícia Militar abre margem para questionamentos sobre credibilidade da corporação

Comandante-geral fez propaganda eleitoral antecipada durante evento público do Governo e disse que vai abrir processo administrativo contra major que criticou desvalorização dos policiais e supostamente apoiaria concorrente do grupo ao Governo

Politicagem e perseguição na Polícia Militar abre margem para questionamentos sobre credibilidade da corporação
Fotos: Reprodução/Instagram

A tentativa do Governo do Estado de silenciar a major Adriane Severo por meio de um processo administrativo específico para quem é policial gerou grande repercussão na imprensa e nas redes sociais. Adriane não é apenas uma policial militar em busca de valorização profissional, ela é uma mulher de coragem que representa toda uma tropa que está com salário defasado, mas tem medo de falar justamente por atitudes de perseguição.

Não é crime lutar por valorização. A major Adriane não criticou a PM, nem o comandante-geral e nem mesmo o governador do Estado. Ela somente pediu que sua categoria seja reconhecida como merece.

Policiais militares investigados em diversos crimes (sequestro, tortura, furto), inclusive que já foram presos ou alvos de investigações e operações da pela Polícia Federal, ganham espaço e respeito dentro da PMRR. Como por exemplo, o coronel Francisco Lisboa Júnior, que já foi subcomandante-geral e agora ocupa o caro de diretor de Recursos Humanos da corporação.

Lisboa foi preso em dezembro o ano passado por usar a estrutura da Segurança Pública do Governo para ajudar um candidato a não ser flagrado ao comprar votos. Além disso, o coronel responde pelo menos quatro processos nas seguintes varas:

  • 2ª Vara do Tribunal do Júri e da Justiça Militar – Competência Militar Criminal ( Peculato mediante aproveitamento ou erro de outrem)
  • 1º Juizado de Violência Doméstica – Competência Criminal (lesão corporal no âmbito doméstico ou familiar)
  • BO 010573/2022 PCRR/ Delegacia Virtual de Roraima (Furto simples)
  • Justiça Eleitoral (Corrupção eleitoral/compra de votos)

Não há registro de processos administrativos para apurar se a conduta do coronel está de acordo com a moral exigida para compor as fileiras da PMRR. O governador Antonio Denarium colocou a mesma venda nos olhos quando o ex-comandante da PMRR foi alvo de operação por suspeita de integrar um esquema de venda ilegal de armas. Neste caso, o coronel foi promovido de comandante-geral a secretário-chefe da Casa Militar do Palácio do Governo.

Além deles, há ainda os policiais investigados, denunciados e réus no caso do jornalista Romano dos Anjos. Enquanto o processo administrativos contra eles anda lentamente, há três ocupando funções administrativas no Quartel do Comando-Geral, ao lado do mesmo comandante que disse que abriria processo contra a major Adriane.

Mas qual é a diferença entre todos esses militares e a major Adriane? Primeiro: ela é mulher; segundo: eles não criticam a desvalorização da tropa, pois estão mais que confortáveis em suas funções administrativas; terceiro: não foram acusados pelo comandante-geral de supostamente apoiar um adversário político do governador.

Ao que tudo indica, está mais que fragilizada a credibilidade da Polícia Militar de Roraima, que virou mais uma extensão do Palácio do Governo, onde quem fala a verdade é perseguido.

Da Redação

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