O Bullying é um conjunto de comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, expressados por uma ou várias pessoas contra outras. Normalmente essas interações negativas estabelecem uma relação desigual de poder, o que dificulta uma reação ou defesa das vítimas. O Bullying escolar gera graves consequências na saúde mental de crianças e adolescentes, provocando o desencadeamento da ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento e até comportamentos suicidas. Os jovens vítimas desse tipo de agressão apresentam risco maior de desenvolver transtornos de pânico e evitação escolar, além de dor física, pesadelos e declínio no rendimento escolar.
Os impactos do Bullying na vida de crianças e adolescentes podem ser bem graves, posto que, levam a desmotivação, insegurança, ansiedade e baixa autoestima. Esse quadro agrava-se mais ainda quando as vítimas não conseguem encontrar ajuda e têm de enfrentar sozinhas as situações recorrentes de humilhação e/ou de violência física em alguns casos. Um dos primeiros sintomas é a perda do interesse pela escola por não confiarem em si próprios, levando-os a acreditar que não são capazes o suficiente para executar as tarefas ou mesmo para integrar um grupo na escola.
A pesquisa
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) realizada pelo IBGE com 188 mil estudantes de todo país na faixa etária entre 13 e 17 anos, um percentual significativo (23%) dos estudantes “afirmaram ter sido vítimas de Bullying nos 30 dias anteriores à coleta dos dados”. O mais estarrecedor foram os motivos para essas agressões como “aparência do corpo, do rosto, cor ou raça”. Ainda, a pesquisa revelou que o Bullying também ocorre via redes sociais e aplicativos, onde 13,2% dos entrevistados relataram que já passaram por essas situações, configurando o chamado cyberbullying, sendo que nessa modalidade de Bullying a exposição das vítimas é infinitamente maior do que a do ambiente escolar, já que a divulgação na internet desse ato criminoso é extensa e de difícil controle pelas autoridades e, pela própria vítima.
Nos casos de Bullying existem vários “atores” com diferentes papéis: o agressor, a vítima e os espectadores. E aqui um destaque para os atores espectadores que são todos aqueles que testemunham a prática de Bullying, seja de forma presencial ou online, por serem as partes mais importantes nesse tipo de agressão, já que podem intervir na defesa das vítimas, inclusive denunciando os agressores para as autoridades e ajudando as vítimas lhes amparando, posto que, a empatia e a solidariedade são os instrumentos mais eficazes na luta contra o Bullying.
Atualmente existem redes de apoio as vítimas de Bullying nas redes escolares do país, bem como, atendimento psicológico e mesmo, intervenções dos órgãos policiais em casos de agressões físicas, onde o Judiciário também entra em cena para punir os agressores.
Dentre as principais consequências na saúde mental destacamos: Transtornos Psicológicos, com alto risco de desencadear a depressão, ansiedade generalizada e síndrome do pânico; impacto emocional, o que provoca a baixa autoestima, insegurança, medo constante e, em situações mais extremas, pensamentos ou comportamentos suicidas; alterações no comportamento, levando ao isolamento social, agressividade ou mudanças bruscas de humor; queda brusca no rendimento escolar, o que afeta em baixas avaliações, dificuldade de concentração e aumento da evasão escolar; efeitos físicos (Psicossomáticos) também são frequentes nessas vítimas, onde surgem as dores de cabeça, dores de barriga e distúrbios do sono.
Por fim, há de se ressaltar que os efeitos a longo prazo causados pelo Bullying, podem persistir na vida adulta, levando essas vítimas a ter dificuldades em seus relacionamentos pessoais e amorosos, problemas com abuso de substâncias (álcool/drogas) e dificuldades crônicas de saúde mental.
As vítimas apresentam sinais de alerta que pais e/ou responsáveis por crianças e adolescentes devem estar atentos para buscar ajuda psicológica o mais rápido possível, objetivando evitar maiores danos à saúde mental, como por exemplo: sinais como tristeza sem uma justa causa aparente, medo de ir à escola, isolamento e marcas físicas pelo corpo, já que muitas crianças e/ou adolescentes ficam com receio de se abrir com seus pais/responsáveis.
Pais e/ou responsáveis pelos agressores também devem buscar ajuda psicológica para estes, pois do contrário, essa criança ou adolescente agressor crescerá com carga de violência e agressões, levando esse comportamento negativo para a vida adulta.

Hismayla Pinheiro é psicóloga clínica e especialista em avaliação psicológica com mais de 7 anos de experiência em consultório. Por aqui ela traz orientações valiosas nesse divã virtual de como manter sua saúde mental. Agende sua consulta: (95) 99144-1131.


