Presidente da Câmara e coronel da PM são denunciados pelo MP Eleitoral por esquema de compra de votos e crimes eleitorais

De acordo com a denúncia, os investigados teriam organizado e executado uma complexa associação criminosa voltada à corrupção eleitoral, com o objetivo de garantir a reeleição de Genilson Costa

Presidente da Câmara e coronel da PM são denunciados pelo MP Eleitoral por esquema de compra de votos e crimes eleitorais
Genilson Costa e coronal Lisboa Júnior

Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o Ministério Público Eleitoral ofereceu denúncia à Justiça Eleitoral contra um grupo de 16 pessoas suspeitas de integrar um esquema estruturado de compra de votos durante as eleições municipais de 2024, em Boa Vista. Entre os denunciados, estão o vereador e presidente da Câmara Municipal de Boa Vista, Genilson Costa e o coronel da Polícia Militar (PMRR), Francisco das Chagas Lisboa Júnior.

De acordo com a denúncia, os investigados teriam organizado e executado uma complexa associação criminosa voltada à corrupção eleitoral. O objetivo era de garantir a reeleição de Genilson Costa.

O esquema funcionava de forma hierarquizada, com divisão de tarefas entre líderes, coordenadores e operadores de campo. Havia ainda o uso de recursos financeiros não declarados à Justiça Eleitoral, caracterizando, assim, a prática de “caixa dois”.

Modus operandi do esquema

As investigações apontam que o grupo aliciava eleitores mediante o pagamento de valores em dinheiro, que variavam entre R$ 100 e R$ 150, em troca do compromisso de voto. Como forma de controle, os eleitores eram orientados a gravar vídeos ou tirar fotos, portando material de campanha do candidato, comprovando a promessa de voto.

O esquema utilizava planilhas, listas manuscritas, grupos de mensagens instantâneas para organizar o pagamento, o cadastro de eleitores e a prestação de contas interna. As investigações também identificaram o transporte irregular de eleitores no dia da votação. Assim como a atuação de integrantes responsáveis por monitorar ações de fiscalização e repassar informações sigilosas ao núcleo de comando do grupo.

Investigações do MP identificaram uso de R$ 4 milhões

As apurações indicam que milhares de eleitores teriam sido cooptados, com movimentação de valores. Conforme as investigações, esses valores ultrapassariam milhões de reais, todos à margem da contabilidade oficial da campanha.

“As anotações capturadas no celular de Genilson sugerem que o montante global movimentado pela associação criminosa ultrapassa a cifra de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), valor seis vezes superior ao patrimônio declarado pelo candidato”, narra trecho da denúncia.

O MP Eleitoral requer que a Justiça receba a peça acusatória e dê prosseguimento à ação penal, com a responsabilização dos envolvidos pelos crimes apontados.

Em relação ao denunciado Genilson Costa e Silva, o Ministério Público pediu, além da condenação pelos crimes imputados, o afastamento imediato do cargo de vereador, como medida cautelar, para cessar o modus operandi do grupo e evitar a reiteração das condutas ilícitas.

Quanto a Francisco das Chagas Lisboa Júnior, o MPRR requereu o afastamento do cargo de coronel da Polícia Militar, diante do uso indevido da função para acesso e repasse de informações sigilosas, bem como o envio de cópia integral do processo à Justiça Militar, ao Ministério Público Militar e à Corregedoria da PM para adoção das providências cabíveis. Lisboa também deve responder pelo crime de violação de sigilo funcional. À época dos fatos, ele era Vice Comandante-Geral da PM e valeu-se do cargo para acessar o sistema de denúncias da Polícia Militar. Documentos extraídos de seu celular mostram que ele capturou telas do sistema “Disk 190” que continham denúncias contra Genilson e as repassou imediatamente ao candidato, permitindo que o grupo criminoso se esquivasse da fiscalização.

Fonte: Da Redação

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