Escola improvisada de palha e madeira desaba no interior de Roraima e comunidade protesta contra Governo

Desabamento ocorreu durante a madrugada. Vídeos e fotos circulam nas redes sociais

Escola improvisada de palha e madeira desaba no interior de Roraima e comunidade protesta contra Governo
Foto: Divulgação

A Escola Estadual Indígena Reinaldo Prill, desabou durante a madrugada desta sexta-feira, 20, na Comunidade Indígena Jacaminzinho, no Cantá, interior de Roraima. A estrutura totalmente improvisada de palha e madeira havia sido construída pelos próprios moradores.

Uma professora fez diversos registros de como ficou as estruturas caídas. Ela relatou que a comunidade previa a possibilidade de um dia haver um desabamento, pois já denunciaram diversas vezes a precariedade e pediram uma solução.

“Nos deparamos de manhã cedo com essa situação em que já havíamos solicitado do governo, por meio de dossiê e denúncias, uma solução com urgência. Isso era algo que já estávamos prevendo e ficamos esperando respostas das autoridades”, contou.

Ainda de acordo com a mulher, a sala de aula onde selecionava também desabou. “Essa era a minha sala que ficou nesse estado”. Se estivesse tendo aula, com certeza teria atingido os alunos. Graças a Deus não tinha ninguém em baixo, provavelmente isso aconteceu à noite”, afirmou

Pais tentam ainda amenizar o problema. Eles fazem reparos com alguns pedaços de madeira para evitar que a copa desabe. “Aqui na copa já está bem comprometida, então a agente faz o pode para não piorar a situação”, continuou a professora.

Veja imagens do desabamento

Indignação e cobrança

O Tuxaua da Comunidade, Ananias Alexandre, manifestou indignação e preocupação sobre problema estrutural que ocorre desde 2011 e já solicitaram providências.

“Desde esse período a gente envia ofício para os poderes públicos pedindo a construção de escolas mas nunca fomos atendidos. Acho que esperaram acontecer isso aqui. Isso é muito triste”, afirmou.

O líder também ressaltou que o desabamento poderia ter atingido os alunos e professores, se tivesse ocorrido durante o período de aula. “Seria ainda mais triste se tivéssemos perdido alunos e professores. Então a gente pede encarecidamente que os poderes públicos olhem para nossa escola”, solicitou.

Indignado, outro pai de aluno, fez grande desabafo e fez um apelo ao Governo e ao secretário de Educação. “Eu sou pai de aluno que estuda, inclusive, nessa sala que desabou, faço apelo, uma solicitação, pelo amor de Deus. Nosso governador Antonio Denaium e nosso Vice, Edilson Damião, até quando a gente vai viver à mercê dessa situação?, indagou.

Ainda conforme desabafo do homem, há mais de dez anos pedem providência para que tenham infraestrutura adequada. “A gente pede, solicita e implora por educação de qualidade. O mínimo possível, a gente não pede coisas grandiosas. É uma infraestrutura para os professores, alunos, funcionários. E agora, olha como isso está.

O morador alertou que o pior poderia ter acontecido e pede visita das autoridades locais para verem a situação. “E se tivesse acontecido durante o dia, vidas seriam perdidas. Um acidente de maior proporção. Secretário de educação, como fica agora? Venham aqui e vejam a situação”, exclamou.

O que diz a Seed

Procurada pelo Roraima em Tempo, a Secretaria de Educação (Seed) disse que enviou uma equipe da Divisão de Estrutura Física da Seed para a Escola Reinaldo Prill, e realizaram um levantamento técnico necessário para a construção de uma nova unidade escolar.

De acordo a secretaria também houve diálogo com a gestão escolar e lideranças locais, onde alinharam as medidas emergenciais para garantir a continuidade do calendário letivo. Acrescentou que estão em negociação para remanejar os estudantes para a Escola Estadual Indígena Sizenando Diniz, localizada na comunidade indígena Malacacheta. Com isso, assegurou transporte escolar para o deslocamento dos alunos com segurança.

Por fim, a Seed afirmou que a Escola Estadual Indígena Reinaldo Prill está incluída no pacote de investimentos para construção de 80 novas escolas indígenas no Estado.

Fonte: Da Redação

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