Cidades

Alunos da EJA reescrevem a própria história com apoio da Prefeitura de Boa Vista

Voltar a estudar depois de adulto exige força, coragem e fé em si próprio. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Prefeitura de Boa Vista, todo caderno aberto carrega mais que palavras: conta histórias de superação, sonhos adiados que agora ganham voz e vidas que são transformadas pelo poder da educação.

Assim, a EJA está em 11 escolas da rede municipal de ensino. A iniciativa oferece a oportunidade de conclusão do Ensino Fundamental (séries iniciais), por meio do 1º segmento, que compreende os períodos da 1ª à 4ª série. Cada uma corresponde a um semestre, o que permite concluir essa etapa em até dois anos.

A força de um pai que decidiu não parar

José Renaldo Ramos Prints, de 50 anos, é pai de cinco filhos e hoje cursa a 3ª série. Foi por incentivo dos filhos que voltou a estudar — e essa decisão mudou sua vida. “Hoje essa missão e compromisso em concluir os estudos já se tornou algo pessoal. Já organizo minha vida pensando no horário escolar. Virou uma prioridade estar aqui”, contou.

No início, ele teve dificuldades, mas nunca desistiu. “A gente chega cheio de dúvidas, mas logo vê um horizonte se abrindo. Quando entramos numa sala de aula, percebemos que a gente pode mais. Parece que uma caixinha na mente se abre, e tudo começa a fazer sentido”, disse.

Segundo ele, os filhos sempre acreditaram em seu potencial: “Meu filho mais novo dizia ‘usa a sua inteligência, vai pra escola’. Depois que comecei a estudar, senti até vontade de aprender a dirigir, tirar minha habilitação e seguir sonhando. Converso com meus filhos sobre fazer engenharia elétrica, pois já trabalho com elétrica predial e quero crescer”, revelou.

O recomeço de uma mãe

Além disso, aos 34 anos, Edlene Miguel Silva voltou a estudar após 18 anos longe da escola. Mãe de seis filhos, ela viu na EJA a oportunidade de reconstruir sua história. “Eu mesma fui minha maior motivação. Já trabalhei como auxiliar de serviços gerais e decidi que precisava mudar minha realidade. Voltei para os estudos e estou muito feliz com tudo que estou aprendendo”, contou.

Do mesmo modo, Edlene mora no bairro Caranã e vai de bicicleta até a escola. “No começo foi difícil, mas está sendo maravilhoso. Já melhorei muito em matemática e português. Meu filho mais velho, de 17 anos, foi quem mais me incentivou a voltar e agora quero ir além. Meu sonho é fazer medicina”, falou.

O olhar acolhedor na EJA

Assim, a professora Jerusa Dutra, da Escola Municipal Francisco Cássio, vê diariamente o impacto da educação na vida de seus alunos da EJA. Para ela, cada história que chega carrega sonhos tímidos que precisam apenas de acolhimento para florescer.

“Eles chegam com muitas razões para desistir. O nosso papel é mostrar que aqui eles podem sonhar de novo. Quando conseguem resolver um exercício ou entender um conteúdo, a alegria no olhar é indescritível”, disse.

Segundo ela, o segredo então, está em motivar todos os dias. “Cada aula é uma chance de resgatar a autoestima deles. A gente ensina, mas também aprende muito. Trabalhar com EJA é um presente”, concluiu.

Confira as escolas onde a EJA é ofertada:

  • Escola Municipal Francisco de Souza Bríglia
  • Escola Municipal Francisco Cássio de Moraes
  • Escola Municipal Ioládio Batista da Silva
  • Escola Municipal Laucides Inácio de Oliveira
  • Escola Municipal Newton Tavares
  • Escola Municipal Nova Canaã
  • Escola Municipal Professora Glemíria Gonzaga Andrade
  • Escola Municipal Maria Gertrudes Mota de Lima
  • Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes
  • Escola Municipal Indígena Martins Pereira da Silva
  • Escola Municipal José David Feitosa Neto

Fonte: Da Redação

Polyana Girardi

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