Conselho de Justificação apura conduta de capitão da PMRR investigado por duplo homicídio em fazenda no Surrão

Helton John Silva de Souza é investigado no caso do assassinato de um casal de agricultores que ocorreu em abril de 2024

Conselho de Justificação apura conduta de capitão da PMRR investigado por duplo homicídio em fazenda no Surrão
Foto: Reprodução

Governo de Roraima determinou a instauração de um Conselho de Justificação para apurar a conduta do capitão Helton John Silva de Souza. Ele é investigado no caso do assassinato de um casal de agricultores na Vicinal do Surrão, no Cantá.

A medida está publicada em Diário Oficial do Estado do último dia 24. O Conselho de Justificação, é um procedimento administrativo utilizado para avaliar se um oficial reúne condições morais e disciplinares para permanecer na corporação. Conforme o documento, o Conselho deverá apurar se o militar tem condições morais de permanecer na polícia, já que é investigado pela morte de Jânio Bonfim de Souza e na tentativa de homicídio contra Flávia Guilarducci de Souza.

O Conselho de Justificação será composto pelo tenente-coronel Nelson Luiz Camilo de Oliveira, tendo como interrogante e relator o major Josué Pereira de Andrade Sousa e como escrivão, o major Simão Pedro Dutra Ribeiro. O prazo para análise é de 30 dias.

O crime

O crime ocorreu no dia 23 de abril de 2024, na Vicinal do Surrão, no Cantá. Em um áudio gravado por uma das vítimas, é possível ouvir o barulho de seis tiros e gritos do casal. O homem morreu no dia seguinte e a mulher ficou em estado grave, mas morreu no dia 28 no Hospital Geral de Roraima (HGR).

Na dia 24 de maio, a PCRR prendeu dois suspeitos do crime: um de 53 anos e um de 35. A Polícia Civil pediu ainda a prisão do produtor Caio Porto, que estava no local do crime, mas ele encontra-se foragido.

Ameaças

Após o crime, os agentes da Civil iniciaram as investigações. Eles apuraram que a mesma testemunha que prestou socorro ao casal, também recebeu ameaças de quatro homens no dia anterior.

A testemunha e o agricultor haviam combinado de fazer uma plantação de feijão numa parte da terra. No dia anterior ai crime, a testemunha olhava o local onde fariam a plantação. Nesse momento, chegaram os quatro homens e um deles estava armado com uma pistola calibre 380.

“Eles foram na propriedade e encontraram a testemunha que é um policial militar da reserva. Eles fizeram a ameaça afirmando que o casal havia invadido as terras deles e, logo depois, foram embora”, relatou o delegado.

De acordo com o relato da testemunha, que ainda chegou a conversar com o agricultor sobre as ameaças, este afirmou que a terra lhe pertencia e estava toda documentada.

“A vítima disse a essa testemunha que era dono da terra e que tinha toda a documentação comprobatória, mas que já tinha recebido outras ameaças anteriormente dos suspeitos e, inclusive, registrado um Boletim de Ocorrência dessas ameaças”, disse o delegado.

Com base nessas informações, os policiais iniciaram as investigações. Desse modo, conseguiram localizar dois dos suspeitos e prendê-los em flagrante delito por homicídio.

Conforme o delegado, as investigações apontaram que os dois homens estiveram numa loja e compraram munição e também estavam juntos quando as vítimas tiveram suas terras invadidas e baleadas. Por fim, após a prisão, o delegado interrogou os suspeitos, acompanhados de um advogado, e eles usaram o direito constitucional de somente falar em juízo.

Fonte: Da Redação

0
Would love your thoughts, please comment.x