Detento tem perna amputada após ter atendimento médico negado em penitenciária de RR, diz denúncia

Homem deu entrada na Pamc em 30 de dezembro com corte na perna direita, no entanto, só foi levado ao HGR dois dias depois

Detento tem perna amputada após ter atendimento médico negado em penitenciária de RR, diz denúncia
Foto: Arquivo pessoal

Um homem que está preso na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) teve a perna direita amputada após uma infecção, por negligência na unidade. O Sindicato dos Policiais Penais de Roraima (Sindppen-RR) fez a denúncia nesta quarta-feira (20).

Conforme documentos, o homem deu entrada na Pamc no dia 30 de dezembro de 2023 já com um ferimento na coxa. Ele explicou que recebeu uma facada no local.

No dia seguinte (31 de dezembro), o enfermeiro de plantão solicitou a remoção do reeducando para o Pronto Socorro, pois na unidade de saúde da prisão não tinha médico de plantão.

Contudo, no dia seguinte, o preso ainda estava na Pamc aguardando remoção e houve uma nova solicitação. Um policial que acompanhou o caso relata que o Estado só levou o preso para o hospital no dia 1º de janeiro, mas já com o quadro de saúde agravado.

“O chefe de plantão comunicou à diretora Maria [da Pamc] para que ela acionasse a equipe de escolta para que o conduzisse [o preso] ao Hospital Geral de Roraima, tendo em vista que a unidade não dispunha de uma viatura para essa remoção. Sendo o correto o acionamento da equipe de escolta. E por sua vez [o chefe de plantão] obteve resposta negativa que não conseguiria enviar a viatura nessa data e que ele seria removido no dia seguinte, ou assim que a escolta terminasse uma missão. No dia seguinte, a informação que nós temos é que ele foi removido no dia seguinte e, ao chegar no HGR de forma urgente foi submetido a uma cirurgia de amputação do membro”.

Relatório

A imagem acima mostra o relatório de ocorrências de plantão da Penitenciária de Monte Cristo do dia 1º de janeiro de 2023. O chefe de plantão então anexou a foto da situação da perna do detento.

Já no dia 2 de fevereiro, um documento assinado por um médico mostra que o detento ainda estava internado no Hospital Geral de Roraima. Ele explicou a gravidade da situação e declarou que a infecção da perna evoluiu para ‘isquemia’.


Foto: Arquivo Pessoal

“Prioridade”

Joana Dark, presidente do Sinddpen, conversou com a reportagem na tarde de hoje (20). Ela disse que o procedimento adotado pela direção com o preso em questão não foi o correto.

“Por ter quebrado medidas protetivas, ele foi encaminhado à Pamc. Mas o que acontece é que esse preso já chegou na penitenciária com o ferimento exposto. Não era para ele ter entrado no presídio, porque é um ambiente de muitas bactérias, de muita contaminação e, ainda assim, foi recebido pela gestão no presídio. O preso começou a passar mal”, explicou.

Joana disse ainda que a diretora da Pamc negou a remoção do reeducando. Por conta disso, a situação dele se agravou.

“Dia 30 começou a passar mal. Dia 31, conforme relatado no livro de plantão, os policiais prestaram o atendimento com o pessoal da unidade saúde de dentro do presídio. Acontece que a diretora da unidade negou esse atendimento. Disse que não era prioridade. E que se ele não fosse levado aquele dia, seria no dia seguinte. Quando o preso foi levado ao hospital já com a perna necrosada, o preso teve a perna amputada”.

Citada

Em nota, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) explicou todo o itinerário do preso, desde o dia que ele deu entrada na penitenciária em 30 de dezembro e que no dia 1º de janeiro enviou o detento para o HGR. Dessa forma, o reeducando passou por duas cirurgias e permaneceu internado até o dia 13 de março de 2024. Atualmente, ele encontra-se em acompanhamento médico da equipe de saúde que atua na unidade prisional.

Fonte: Da Redação do Roraima em Tempo e da 93 FM

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