Cidades

‘Dona’: espetáculo transforma histórias reais de dor e renascimento feminino em arte e solidariedade

O palco do Teatro Jaber Xaud, no Sesc, em Boa Vista, será tomado por música, emoção e coragem no próximo dia 31 de outubro, às 20h, com a nova edição do espetáculo “Dona”, idealizado e protagonizado pela cantora e compositora Kárisse Blos. O show tem entrada gratuita mediante doação de itens de higiene pessoal. O evento é uma homenagem à força e à delicadeza feminina, ao mesmo tempo que também é um manifesto pela vida, pela dignidade e pela empatia.

As doações arrecadadas serão destinadas aos projetos sociais atendidos pelo Mesa Brasil do Sesc Roraima. Paralelamente, uma nova campanha também recolherá produtos de higiene para mulheres encarceradas na Penitenciária Feminina de Roraima. 

“Além do espetáculo no teatro, vamos gravar uma versão pocket para ser exibida dentro da unidade prisional. Queremos que essas mulheres se vejam, se reconheçam e encontrem um recomeço possível”, explica Kárisse.

O espetáculo faz parte da programação cultural contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo do Governo de Roraima e produção da Blago Produções.

Histórias que nasceram da dor e se transformaram em arte

“Dona” nasceu de um processo pessoal de cura. Dessa forma, as cinco histórias que compõem o roteiro se baseiam em vivências reais de violência psicológica, física e patrimonial. São experiências que se repetem, com rostos e nomes diferentes, mas com a mesma necessidade de serem ditas.

“Transformar essas vivências em arte foi uma forma de romper o silêncio e de mostrar que a dor não precisa nos definir — pode se transformar em força, consciência e liberdade.”

O projeto começou há mais de 20 anos, quando a artista iniciou um compilado de relatos sob o título “As vezes que eu morri”, reunindo, assim, experiências próprias e de outras mulheres. 

“Era pra ser um livro, mas virou um show. E o palco acabou sendo o lugar mais seguro para dizer o que tantas de nós sentimos e não conseguimos falar”, completa Kárisse.

Um espetáculo que virou terapia coletiva

Mais do que uma apresentação musical, “Dona” é uma experiência emocional. Então, entre canções brasileiras consagradas, áudios reais e performances intensas, o público faz um mergulho profundo sobre violência, autoconhecimento e reconstrução.

“Cada nota é um grito, um alívio, um recomeço”, diz Kárisse. “As mulheres se reconhecem nas histórias, e os homens também se questionam. É uma grande terapia coletiva. A arte educa, transforma e cura.”

Na primeira edição, realizada em março deste ano, o espetáculo arrecadou absorventes para mulheres atendidas pela Patrulha Maria da Penha e, além disso, emocionou o público com relatos reais. Um dos momentos mais marcantes, segundo a artista, foi o de uma mulher que, após assistir ao show, escreveu dizendo que finalmente deixou de se culpar por ter sido vítima de violência doméstica. “Esse depoimento valeu o show inteiro. Ali, entendi que o Dona não é só meu, é de todas nós”, afirma.

Manifesto pela mulher em todas as suas formas

“Dona” é também um chamado à empatia, assim como à celebração da mulher em todas as suas formas. “É um manifesto que convida o público a sentir, refletir e agir. A violência contra a mulher não pode mais ser banalizada, e a arte tem o poder de abrir caminhos onde a dor antes fechava portas”, diz a artista.

O show conta com o apoio do Sesc Roraima, Parima Rent a Car, Waldemarina Salgados e, por fim, de Mauro Maia Produções.

Fonte: Da Redação

Lara Muniz

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