Cidades

‘Óbitos por causas evitáveis’: crianças Yanomami morrem 10 vezes mais por doenças consideradas tratáveis

As crianças Yanomami morrem 10 vezes mais por doenças consideradas tratáveis do que a média nacional. Os dados são da Agência Pública junto à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) referentes aos anos de 2019 e 2000.

Doenças

Assim, a malária, que matou mais de uma dezena de crianças Yanomami e infectou milhares em três anos, está incluída na lista das doenças consideradas tratáveis, assim como pneumonia, desnutrição, diarreia e verminoses.

Quando comparado as taxas nacionais com os números encontrados na Terra Yanomami entre 2019 e 2020, com os dados disponíveis em nível nacional, a taxa de óbitos evitáveis de crianças com menos de 5 anos no Brasil foi cerca de 260 a cada 100 mil habitantes. No mesmo período, a taxa foi de 2.400 mortes a cada 100 mil habitantes. Ou seja, são 9,2 vezes mais crianças que perderam suas vidas.

Desvios de medicamentos

Em novembro do ano passado, a Polícia Federal (PF) realizou operação com objetivo de investigar um esquema de desvio de recursos públicos federais do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-Y).

Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, no estado de Roraima, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal em Roraima.

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Gestores do Dsei Yanomami

Até janeiro do ano passado, Rômulo Pinheiro era o coordenador do Dsei Yanomami. Indicação do senador Mecias de Jesus e do deputado federal Jhonatan de Jesus, ambos do Republicanos. Ele já havia pedido demissão em outubro de 2021. Contudo, ainda permaneceu no cargo até janeiro do ano passado.

Com a saída de Rômulo, o ex-vereador de Mucajaí, Ramsés Almeida assumiu a coordenação do órgão. E do mesmo modo, ele também é indicado de Mecias e Jhonatan de Jesus. Além disso, o atual coordenador do Dsei Yanomami é filiado ao partido Republicanos, sigla comandada pelo senador Mecias em Roraima. Ramsés também tem forte ligação com o atual governador de Roraima, Antonio Denarium (PP).

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Falta dos medicamentos

Em junho do ano passado, Júnior Hekurari, divulgou sobre a morte de três crianças de 3 anos da Comunidade Tirei por diarréia, pneumonia grave, desidratação, bem como verminose. À época, ele relatou que havia um surto das doenças na região e que os moradores ainda não haviam recebido atendimento da equipe de saúde.

Além disso, Hekurari informou sobre a falta de muitos medicamentos, entre eles, o albendazol. Durante uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) sobre um esquema de desvio de recursos públicos federais, foi identificado o recebimento do vermífugo em quantidades inferiores ao adquirido pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-Y).

Contudo, ele disse que que sofreu muitos ataques durante os últimos dois anos por ter relatado a situação da TI Yanomami. Então ele disse estar satisfeito com a Operação Yaosi.

De acordo com o MPF, no início de 2021 o número de casos de mortalidade infantil foi de 133,3%, sendo a maioria por malária. Dessa forma, em menos de dois anos, a Terra Yanomami registrou cerca de 44 mil casos da doença na população.

Sem ações nas comunidades

Além disso, Hekurari ressaltou que até então, não havia nenhum tipo de ação nas comunidades Yanomami para frear esses casos por parte das autoridades.

“O povo Yanomami está morrendo. Não tem remédio, não tem atendimento nas comunidades […] Hoje se mostrou uma Operação da Polícia Federal que falaram que o próprio farmacêutico, o próprio coordenador, os próprios assessores do coordenador falsificaram esse recebimento de medicamentos junto com os empresários. Então por causa desses responsáveis que sofremos”, lamentou.

SOS Yanomami

Em dezembro de 2022, o Conselho Indígena Yanomami (CIR) organizou a campanha ‘SOS’ para realizar a entrega de medicamentos e alimentos a comunidades em situação de venerabilidade.

Conforme o CIR, a ação é feita principalmente na região do Surucucu. “Em razão da agravante situação, principalmente na região Surucucu, onde há aumento alarmante de desnutrição aguda em crianças, malária, doenças infecciosas e falta de medicamentos”.

Com informações da Redação e de Rafael Oliveira do Jornal do Brasil

Polyana Girardi

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