Organização criminosa seria liderada por um empresário, e contaria com a participação de dois filhos e de outras três pessoas, além de “laranjas" - Foto: Divulgação/PF
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (7) a operação “Urihi Wapopë”. O objetivo é desarticular uma organização criminosa responsável por fornecer apoio logístico aéreo para exploração de garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami.
Policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão expedidos 4ª Vara Federal Criminal em Roraima. Da mesma forma, a Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 9,5 milhões dos envolvidos e a suspensão de atividades econômicas.
O inquérito indica que um empresário lidera a organização criminosa e conta com dois filhos, assim como outras três pessoas, além de “laranjas”. Em suma, eles seriam os proprietários formais de empresas envolvidas nos crimes.
Conforme o documento, o grupo utiliza uma empresa de táxi aéreo e outra de poços artesianos para operacionalizar as atividades de envio de suprimentos e pessoas para áreas de garimpo clandestino. Eles são remunerados com ouro ilegal.
A Justiça determinou a suspensão do exercício de toda e qualquer atividade econômica desenvolvida pelas duas empresas e por quatro suspeitos.
De acordo com as investigações, o grupo movimentou ao menos R$ 425 milhões apenas nos últimos dois anos. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informaram movimentações incompatíveis com a capacidade financeira dos envolvidos. Desse modo, indicando a possibilidade de lavagem de dinheiro.
A PF informou que também chamou a atenção dos investigadores o fato de que o principal suspeito seria o arrendatário de um terreno em zona limítrofe à Floresta Nacional de Roraima. Esta área é aparentemente estratégica na logística do transporte aéreo de combustível para o garimpo ilegal.
No local foi encontrado um tanque de armazenamento de combustível, que estaria sendo utilizado com autorização ambiental emitida pela Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh).
Conforme a PF, tal fato levanta suspeitas quanto à regularidade da emissão da referida autorização, tendo em vista que o local onde o tanque foi construído faz parte da Área de Preservação Permanente (APP) da propriedade e, por isso, não poderia ter sido instalado ali.
Os principais crimes investigados são participação em organização criminosa, usurpação de bem da União, lavagem de dinheiro, bem como crimes ambientais. As penas destes crimes, somadas, podem ultrapassar os 27 anos de prisão.
O nome da operação faz alusão ao termo usado pelos povos Yanomami para se referirem aos garimpeiros, que invadem suas terras em busca de ouro.
Fonte: Da Redação
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