Cidades

RÁDIO VERDADE: árbitra de futebol fala sobre desafios da profissão

A árbitra de futebol Eliane Nogueira, falou sobre os desafios da profissão em um cenário dominado pela presença masculina. O assunto foi abordado em entrevista concedida ao jornalista Bruno Perez no programa Rádio Verdade da 93 FM, desta quinta-feira 26.

Eliane nasceu no Amazonas e veio para Roraima há quatro anos. Ela então integra a Federação Roraimense de Futebol (FRF) e foi a primeira representante da FRF a participar de um importante curso de desenvolvimento para árbitros da Fifa em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Além disso, já atuou na série ‘A’ do futebol feminino e esteve no último dia 21, na Bahia apitando uma partida.

Questionada sobre as reações enquanto está em campo, Eliane ressalta que existem pessoas que desrespeitam o seu trabalho. Contudo, ela diz que não dá atenção

“Não é fácil, mas é gostoso está ali dentro. Existem sim xingamentos, no entanto, não ligo. Já estive do outro lado, pois sou ex-jogadora de futebol, então conheço os dois lados. É uma cultura do futebol, mas não aceito quando acontece dentro de campo, como por exemplo, dos atletas ou comissão, porque tem que ser uma via de mão dupla. Quer respeito, precisa dar o respeito”, esclareceu.

Conquistas e preparação

Há quatro anos, Eliane apita o Campeonato Roraimense de Futebol e comentou suas conquistas. “Sou bicampeã em relação a melhor árbitra. Ganhei em 2024 e também no ano passado. É muita dedicação, não é fácil mas a dedicação e foco ajuda bastante”, disse.

Eliane Nogueira também falou sobre a preparação antes de entrar em campo. “Formamos um grupo de trabalho quando a escalação de arbitragem sai. Normalmente são mais para jogos da CBF, quando a gente não conhece o nosso trio. Aqui todo mundo se conhece, inclusive antes da partida, temos uma sessão com psicólogo, onde ele escuta o grupo de trabalho. Então, antes de ir para o campo, temos essa bate-papo e acho isso muito importante”, explicou.

Eliane também avaliou a tecnologia na arbitragem. “A tecnologia veio para ajudar, pois se você tem a oportunidade de revisar um lance, existe uma segunda oportunidade de resolver aquela situação por vários ângulos algo que você viu em campo. Aqui, trabalhamos com o rádio. O fone e ajuda bastante na conversa.”

Por fim, Eliane comentou a cultura do machismo contra mulheres na arbitragem. “Eles (homens) acham que a mulher não tem competência para estar ali. Às vezes, o próprio jogador questiona, e a gente responde que, para estarmos ali, precisamos treinar em dobro, estudar em dobro… tudo é em dobro para poder atuar em um campeonato masculino. Se eu cheguei até aqui, é porque tenho competência para estar”, finalizou.

Fonte: Da Redação

Polyana Girardi

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