Ranking dos indicados a melhor animação do Oscar 2022

As indicações ao Oscar 2022 surpreenderam todo mundo. Porém, a categoria de Melhor Animação foi uma das mais previsíveis dos últimos anos

Ranking dos indicados a melhor animação do Oscar 2022
Foto: Divulgação

As indicações ao Oscar 2022 surpreenderam todo mundo. Porém, a categoria de Melhor Animação foi uma das mais previsíveis dos últimos anos. Os cinco indicados já estavam com suas vagas cravadas desde o início da temporada. Felizmente, essa previsibilidade é uma ótima notícia. Afinal, todos os indicados mereceram o reconhecimento. Mais que surpreendente, a Academia precisa ser justa.

Com isso, assisti às cinco animações indicadas e fiz um ranking em ordem crescente de qualidade, do “pior” ao melhor. As aspas? É que não há concorrente ruim aqui, mas não adianta: um deles tinha que ficar por último. Inclusive, o último e o primeiro lugar foram minhas duas maiores certezas neste ranking. Assim como a própria lista de indicados: previsível e incrível. Sobre ser justa, depende de você, caro leitor.

  1. LUCA

Deve ser a primeira vez que um bom desenho da Pixar fica na lanterna de um ranking envolvendo animações de outros estúdios. Isso porque esse estúdio virou uma fábrica de obras-primas e cada lançamento seu é envolto de muita expectativa. “Luca”, porém, faz parte das obras-menores da Pixar. Mas não se engane: mesmo nessa condição, a história de um monstro marinho que se torna um garoto tem seu próprio charme e encanto.

Na verdade, todas as aventuras de Luca e de seu novo amigo Alberto, na cidade italiana de Portorosso, levam a grandes lições sobre o acolhimento dos diferentes e o entusiasmo pela descoberta. O enredo tem uma escala menor, o visual é propositalmente infantil e a atmosfera é carregada do calor característico da verona italiana. Com isso, “Luca” não é uma obra-menor qualquer, mas uma das melhores obras-menores da Pixar.

  1. A FAMÍLIA MITCHELL E A REVOLTA DAS MÁQUINAS

De todos os indicados, “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” é o mais infantil, sem sombra de dúvidas. A diferença é que a animação, que tem um título bem autoexplicativo, consegue alinhar muita diversão com doses bem controladas de denúncia social. No caso, sobre o apego à tecnologia que tomou conta da nossa juventude, só que mostrado com muito bom humor e muitas cores vivas.

Aliás, o público-alvo é justamente as crianças da geração internet, já que há inúmeras referências a redes sociais, vídeo do You Tube e os famigerados memes. Porém, com uma protagonista aborrecente, o tema mais relevante atrás disso é a importância da união familiar e a necessidade do contato afetivo presencial. E, convenhamos: a criançada de hoje precisa saber dessa diferença. E a família Mitchell chegou aí para isso.

  1. ENCANTO

Se você ainda não ouviu a canção Não falamos do Bruno, talvez você não deve morar neste planeta. Mas não é apenas ela. “Encanto” é cheio de outras músicas bem legais, como Estou nervosa, e emocionantes, como Dos Oruguitas. Embora seja um musical em sua essência, a animação tem um enredo envolvente, que foge do lugar comum e conversa de forma divertida com diferentes culturas.

Tá, voltando ao Bruno: a aura em torno deste personagem é o elemento mais interessante da obra. Isso porque, embora a trama sugira um vilão na sua figura, a verdade é que não há um vilão propriamente dito. E ainda assim, “Encanto” faz jus ao título com personagens bem cativantes, especialmente a protagonista Mirabel, cuja beleza particular mostra que representatividade importa.

  1. RAYA E O ÚLTIMO DRAGÃO

É estranho ver que esta animação não fez sucesso com o povo como fez “Encanto”. Isso porque, além de ser uma grande aventura, “Raya e o Último Dragão” é uma obra muito bem feita, A parte gráfica é um show, com uma riqueza de detalhes impressionante. Além disso, a trama sobre a coleta de fragmentos de um item especial, é cheia de carisma, movimento, adrenalina e que, de certa forma, flerta com o pós-apocalipse.

Como uma boa animação Disney, há uma lição de vida no final. Só que, apesar de todas as pistas a ela serem explícitas por toda a narrativa, o impacto da mensagem me pegou de jeito. Coisa que não seria possível se não fossem os ótimos personagens, uma rivalidade bem construída, um dragão carismático e uma bebezinha surpreendente. Por tudo isso, “Raya e o Último Dragão foi, para mim, o melhor filme da Disney no ano passado.

  1. FLEE

Se eu tivesse visto ainda no ano passado essa mistura de animação, drama e documentário, com certeza estaria no meu Top 10 dos filmes de 2021. “Flee” conta as memórias de um homem afegão que precisou fugir de seu país. A obra dinamarquesa trata de questões espinhosas e muito relevantes, como a dos refugiados e a de homossexuais que vivem em país de gestão teocêntrica e, logo, extremamente conservadora.

A narrativa usa imagens de arquivo de modo bastante pontual para contextualizar a história, fazendo-nos entender melhor a saga do protagonista. “Flee” trata da dor de não poder ser você mesmo, em que uma pessoa precisa esconder a própria identidade para viver e conviver com essa dor. Tudo mostrado de forma bela, dolorosa e muito comovente. Torcendo muito para leve o Oscar em, pelo menos, uma das três categorias a que foi indicado.

Júnior Guimarães é jornalista e escreve a coluna Cinema em Tempo. Toda sexta-feira aqui no Roraima em Tempo temos uma análise sobre o mundo cinematográfico. No Youtube, Júnior tem um canal onde faz críticas e avaliações sobre cinema. 

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