A banda Guy Bras Ven, formada por músicos da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, foi convidada a participar de dois eventos culturais que acontecem paralelamente à 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP30, marcada para novembro deste ano na cidade de Belém no Pará.
A banda fará apresentações ocorrerão no Núcleo de Conexões Na Figueiredo, e durante o evento “Terra Queimada” na Casa do Artista. Ambos integram a programação ampliada da cidade que recebe a COP30. os locais funcionam como espaços de expressão artística e política dos povos da Amazônia, mesmo que não façam parte da programação oficial da ONU.
A banda Guy Bras Ven já soma 25 anos de trajetória, a traz a identidade da fronteira em suas canções. O grupo mistura reggae, bem como ritmos caribenhos, promovendo um ambiente intercultural para quem prestigia as apresentações.
“A gente tem o maior orgulho de sair daqui de Roraima para representar o que pouca gente conhece sobre esse nosso território. Temos muito a oferecer, tanto musical, tanto quanto culturalmente. Temos a mente no mesmo tema que mobiliza o mundo inteiro que é a Amazônia e também o futuro climático do planeta”, afirma Mike Guy Bras, idealizador e integrante da banda.
A participação da Guy Bras Ven nos eventos em Belém representa, para os músicos, uma oportunidade de apresentação artística. Mas, além disso, é um ato político e coletivo. “A gente não está indo como parte da programação da ONU, mas durante a COP, inseridos em espaços culturais que dão visibilidade a vozes periféricas e amazônicas. E é aí que a cultura se articula, nas ruas, nos palcos, nas rodas de conversa. Essa é a COP que nos cabe ocupar”, reforça Mike.
Mesmo com os convites e com a estrutura que foi oferecida à banda durante o evento, os custos da viagem, como transporte, alimentação e estadia, ainda precisam ser arcados pela própria Guy Bras Ven. Por isso, a Guy Bras Ven lançou uma campanha de financiamento coletivo. Dessa forma, a iniciativa tem mobilizado a cena artística de Boa Vista com ensaios abertos e eventos colaborativos.
Os ensaios, que ocorriam aos domingos no Estúdio Parixara, agora tem outro objetivo e por isso será cobrado um ingresso simbólico, cujo valor será revertido para a viagem. O próximo está marcado para o dia 29 de agosto e reunirá a banda Guy Bras Ven e a banda Bodó Valorizado, fortalecendo parcerias entre músicos locais.
O movimento cresceu tanto que outras bandas da capital começaram a se somar espontaneamente ao projeto. Conforme Mike, outros artistas estão oferecendo apoio e até sugerindo a formação de um mini festival para arrecadar fundos. “A gente começou com ensaios abertos, depois fechados, e agora está se tornando algo maior. As bandas de rock, pop, reggae daqui estão querendo ajudar. Isso virou um movimento cultural do nosso povo, e a gente não vai fechar a porta para ninguém. Está virando uma coisa maravilhosa.”, compartilhou.
De acordo com o artista, representar a música e a cultura de Roraima em um evento com a dimensão da COP30 é uma forma de mostrar um outro lado da Amazônia, muitas vezes esquecida nos grandes debates climáticos. “Meus amigos dizem: ‘Mike, tu tá fazendo uma coisa incrível!’ Mas eu digo: não sou eu, é o nosso grupo. Sozinho eu não teria como fazer isso. É a gente, nossa equipe, a nossa cultura, nossa fronteira. É uma bênção de Deus poder viver isso.”
A campanha da banda está disponível na plataforma Vakinha, e toda contribuição financeira ou com divulgação, é bem-vinda. “Se puder colaborar, ótimo. Se não puder, compartilha. Cada ajuda é uma batida que nos leva mais longe”, convida Mike. Outras informações no @guybrasven.
Fonte: Da Redação
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