Câmara aprova teto para salário mínimo, mas afrouxa mudanças no BPC

Relator retira proposta de mudança em Fundo Constitucional do DF

Câmara aprova teto para salário mínimo, mas afrouxa mudanças no BPC
Foto: Divulgação/Agência Brasil

Por 264 votos a favor e 209 contra, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (19), à noite, o terceiro projeto que integra o pacote de corte de gastos do governo. A proposta cria um teto para o crescimento do salário mínimo, obriga a biometria para o recebimento de programas sociais e limita os gastos com o Proagro.

Por ser projeto de lei ordinária, a proposta exigia apenas maioria simples (metade mais um dos deputados presentes). A aprovação da última proposta do pacote, que muda a previdência dos militares, ficou para o próximo ano. O Congresso só recebeu o projeto na terça-feira (17).

O PSOL, que era contra o projeto, tentou derrubar parte do texto aprovado, mas sendo derrotado. O texto segue para o Senado, para votação nesta sexta-feira (20).

O governo depende da aprovação desse projeto nas duas Casas para votar o projeto de lei do Orçamento de 2025. Isso porque o texto aprovado limita o crescimento do salário mínimo a 2,5% acima da inflação do ano anterior. A valorização mínima é de 0,6% acima da inflação em caso de recessão econômica.

Conforme o Ministério da Fazenda, a medida gera uma economia de R$ 109,8 bilhões de 2025 a 2030.

Mudanças

Facilitando a aprovação do projeto, o governo concordou em desidratar parte das propostas. O relator, deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), afrouxou as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC). Ele é um benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, principal ponto de resistência ao projeto. Isnaldo retirou a expressão “pessoa com deficiência” que constava do projeto original e trocou por “avaliação que ateste deficiência de grau moderado ou grave”.

Conforme os parlamentares da oposição e até da base aliada, a expressão pessoa com deficiência poderia excluir do BPC, portadores de transtornos do espectro autista assim como pessoas com síndrome de Down. No entanto, parte dos parlamentares criticou a nova definição do relator, pois continua restringindo o acesso ao benefício.

Bulhões também retirou a proposta do governo que pretendia excluir do cálculo da renda familiar per capita os rendimentos de familiares que não moram na mesma casa, mas ajudam o beneficiário.

Conforme os deputados, isso prejudicaria um beneficiário com deficiência que mora numa casa. Mas que por lado, recebe cuidados de um parente que habita o mesmo lote, ou em outro domicílio. O deputado eliminou ainda a proposta do governo de incluir posse ou propriedade de bens ou direitos, inclusive terras, do cálculo da renda.

O relator não revogou a regra segundo a qual o benefício concedido a qualquer membro da família não será computado para os fins do cálculo da renda familiar. O governo queria que esses rendimentos fossem levados em conta.

O projeto aprovado manteve a necessidade de apresentação de documento com exame biométrico para receber o benefício, cuja obrigatoriedade havia sido proposta pelo governo. No entanto, o relator incluiu exceções, como idosos com dificuldades de locomoção ou pessoas que moram em localidades remotas.

Bolsa Família e Proagro

Em relação ao Bolsa Família e demais benefícios de seguridade social, o texto aprovado manteve a obrigatoriedade de cadastro biométrico para a concessão, a manutenção e a renovação. Os parâmetros para a permanência do programa serão mais rígidos para as famílias unipessoais (beneficiários que moram sozinhos). Haverá restrição para municípios com percentual de famílias unipessoais acima do disposto em regulamento. 

O projeto também estabelece que o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), seguro rural a pequenos e médios produtores, seja executado conforme o orçamento de cada ano. Atualmente, o Banco Central manda a conta de alguns subsídios, como o Proagro, ao governo, sem limitação orçamentária, podendo o governo. Pelo projeto, governo só poderá gastar em subsídios o que estejam autorizado no Orçamento.

O projeto muda ainda os parâmetros relativos à permanência no Bolsa Família, incluindo o estabelecimento de índices máximos de famílias unipessoais.

FCDF

Para diminuir a resistência à aprovação do projeto, o relator retirou as mudanças no Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), cujos recursos passariam pela correção apenas pela inflação conforme a proposta original. O fundo continuaria sendo corrigido pela Receita Corrente Líquida (RCL).

Formado por recursos da União, o FCDF manteria a saúde pública, a educação e a Polícia Civil. Além da Polícia Penal, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. O Ministério da Fazenda previa redução dos gastos em R$ 18,1 bilhões até 2030 com a nova forma de correção.

Na apresentação do projeto, no fim de novembro, o Ministério da Fazenda previa que as três propostas – os dois projetos e a proposta de emenda à Constituição – gerariam economia de R$ 71,9 bilhões em 2025 e 2026. Dessa forma, as contas sendo refeitas com as desidratações no Congresso.

Fonte: Agência Brasil

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