De receitas da família ao empreendedorismo: mulher cria molhos que valorizam o sabor amazônico

A inspiração de Valdeniza Bezerra veio em 2022, durante enfrentamento de um luto. Hoje, ela construiu uma nova trajetória que envolve memória afetiva

De receitas da família ao empreendedorismo: mulher cria molhos que valorizam o sabor amazônico
Foto: Divulgação/ Sebrae

O que começou como uma forma de enfrentar o luto pela perda dos pais se transformou em um empreendimento que valoriza os sabores amazônicos e fortalece o empreendedorismo feminino em Roraima. Proprietária da Daval Alimentos Amazônicos, Valdeniza Bezerra encontrou nos molhos artesanais de pimenta uma maneira de resinificar memórias afetivas e construir uma nova trajetória profissional.

Atualmente, a empreendedora produz molhos de pimenta feitos com frutos da Amazônia e, mais recentemente, também passou a investir na criação de biojoias confeccionadas com sementes de açaí e miçangas de vidro reciclável.

A inspiração para o negócio surgiu em 2022, durante um período de luto. Embora já produzisse molhos para consumo próprio, Valdeniza nunca havia pensado em transformar a atividade em fonte de renda.

“Meu pai fazia molho de pimenta para a família, então trabalhar com isso me conecta às minhas lembranças mais felizes. Foi uma forma de transformar a dor em algo positivo e continuar honrando a memória dos meus pais”, contou.

Decisão

Apesar de possuir CNPJ desde 2021, a empreendedora utilizava o registro para outra atividade. Quando decidiu investir nos molhos artesanais, precisou enfrentar desafios relacionados à busca por insumos de qualidade, logística e embalagens adequadas.

“Eu queria oferecer um produto diferenciado e de qualidade. Encontrar fornecedores que atendessem às minhas expectativas foi um dos maiores desafios do início da jornada”, explicou.

Valdeniza conheceu o Sebrae em outubro de 2023, durante o evento “Tá Com Tudo Empreendedor”. Na ocasião, ela teve contato com o edital do programa Inova Amazônia e decidiu participar da seleção, mesmo sem conhecer totalmente o processo.

Com apenas cinco dias para concluir a inscrição, elaborou o projeto, produziu um vídeo de apresentação e garantiu uma vaga no programa. A partir daí, iniciou uma nova fase de aprendizado por meio de capacitações, mentorias e consultorias oferecidas pelo Sebrae. “Eu queria entender tudo. Estudava antes dos encontros, me preparava e buscava aprender o máximo possível. Foi assim que começou meu amor pelo Sebrae”, relembrou.

Desde então, a empreendedora passou a participar de iniciativas como o Sebrae Delas, missões empresariais, exposições de produtos, consultorias especializadas e programas de inovação.

Crescimento

Segundo Valdeniza, o apoio recebido contribuiu não apenas para o crescimento da empresa, mas também para seu desenvolvimento pessoal. “Quando entrei no Sebrae pela primeira vez, eu estava extremamente tímida e insegura. Tinha dificuldade até para me apresentar. Com o apoio das pessoas que trabalham lá, fui ganhando confiança, aprendendo a me comunicar e acreditando mais em mim mesma”, afirmou.

Para Wanderléia Franco, analista técnica do Sebrae/RR, o fortalecimento da confiança e da postura empreendedora representa um dos principais impactos do acompanhamento oferecido pela instituição.

“Essa evolução impacta diretamente no crescimento das empresas, contribuindo para o aumento das vendas, a melhoria da gestão e a sustentabilidade dos negócios”, destacou.

Hoje, Valdeniza considera o Sebrae um parceiro estratégico em sua trajetória e afirma que a instituição ajudou a ampliar sua visão sobre empreendedorismo e gestão.

“O Sebrae foi um divisor de águas. Quando eu mesma duvidava da minha capacidade, encontrei orientação, conhecimento e apoio para continuar. Eles me mostraram que tudo é possível quando buscamos aprender e nos dedicar”, afirmou.

Mensagem

Ao compartilhar a própria trajetória, a empreendedora também deixou uma mensagem para quem deseja começar um negócio ou enfrenta dificuldades no empreendedorismo.

“Não desista do que você acredita. Busque ajuda, procure orientação e não tenha vergonha de dizer o que não sabe. Empreender pode ser difícil e solitário, mas você não precisa caminhar sozinho”, concluiu.

Fonte: Da Redação

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