Economia

Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até RS 5 mil deve ser votada nesta quarta no Senado

Por unanimidade, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE)  aprovou, nesta quarta-feira, 5, o projeto de lei (PL) do Executivo que isenta do Imposto de Renda (IR) os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês. A medida ainda reduz o IR, gradualmente, para aqueles que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7.350.

O texto segue para o plenário do Senado com previsão de votar ainda nesta quarta-feira. Se aprovado, segue para sanção presidencial. Se sancionado até o final do ano, a redução do IR passa a valer a partir de janeiro de 2026. 

Atualmente, é isento do IR quem ganha até dois salários mínimos (R$ 3.036 por mês).

O Governo calcula que cerca de 25 milhões de brasileiros vão pagar menos impostos, enquanto outros 200 mil contribuintes terão algum aumento na tributação.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

O relator na CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), rejeitou as 11 emendas apresentadas. Ele alegou que a medida poderia atrasar a sanção do projeto e adiar, para janeiro de 2027, o início das novas regras. 

“Tudo que nós não queremos é que retorne à Câmara dos Deputados. Diante do exíguo prazo e do recente histórico de tramitação, da tramitação atípica na outra casa do Congresso Nacional, enviar a matéria de volta à casa iniciadora representa, sem dúvida, um risco fatal. Frustraríamos, sem dúvida, a população que aguarda ansiosamente por esse alívio em seus orçamentos domésticos, negando benefício a milhões de trabalhadores no próximo ano”, explicou Renan.

O relator lembrou ainda que a legislação exige que mudanças tributárias devem ocorrer no ano anterior ao aplicado. O que então obriga a sanção do tema até o final deste ano.

Para compensar a perda de arrecadação, o projeto prevê uma alíquota extra progressiva de até 10% para aqueles que recebem mais de R$ 600 mil por ano, ou então R$ 50 mil por mês. Além disso, o texto também estabelece a tributação para lucros e dividendos remetidos para o exterior com alíquota de 10%.  

Oposição

A decisão do relator Renan Calheiros de não aceitar mudanças no texto oriundo da Câmara dos Deputados recebeu críticas da oposição, que gostaria de ver suas propostas analisadas.

“Vamos botar a digital do Senado aqui. Nós somos a Casa revisora, não podemos perder essa função e ter medo de exercer essa função”, criticou o senador Carlos Portinho (PL-RJ). 

O senador fez críticas à tributação sobre profissionais liberais que se transformam em pessoa jurídica (PJ) e que terão que pagar sobre lucros e dividendos. 

“A pessoa jurídica vai pagar e o profissional liberal vai pagar quando receber os seus dividendos, é isso mesmo que querem? Esses são os super-ricos? Não são”, reclamou.

Por outro lado, no relatório, Renan Calheiros pontuou que será “residual” os casos de profissionais liberais que terão que pagar o tributo. “Em regra, os profissionais liberais com renda de R$ 1,2 milhão por ano pagam IRPF acima de 10%. Caso não paguem, eles passarão a estar sujeitos à tributação mínima”, explicou.

Ricos

A alíquota extra máxima de 10% será cobrada de quem ganha a partir de R$ 1,2 milhão por ano, ou R$ 100 mil por mês. Além disso, ficou mantida a tributação de 10% sobre dividendos enviados ao exterior prevista no projeto original do Executivo.

Os dividendos são a parcela do lucro que as empresas pagam aos acionistas e, desde a década de 1990, são isentos de IR. Porém, a Câmara instituiu três exceções à cobrança sobre dividendos: quando remetidos para governos estrangeiros, desde que haja reciprocidade de tratamento; remessas a fundos soberanos e remessas a entidades no exterior que administram benefícios previdenciários.

A proposta também prevê mecanismos de compensação de possíveis perdas de arrecadação do Imposto de Renda para estados e municípios e o Distrito Federal.

Pelos cálculos, o Governo Federal conseguirá, entre 2026 e 2028, uma receita com superávit de cerca de R$ 12,27 bilhões, valor que deverá ser usado para compensar, caso haja, perdas de estados, do Distrito Federal e de municípios em razão da redução da arrecadação do Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos de seus próprios servidores.

Fonte: Da Redação

Rosi Martins

Recent Posts

Aderr promove curso para habilitar médicos veterinários na emissão de GTA para eventos agropecuários

Treinamento ocorre no dia no dia 27 de julho, em Boa Vista, e prepara profissionais…

24 minutos ago

Brasil envia novas vacinas para vítimas de terremotos na Venezuela

Ao todo, mais de 5 mil mortes foram confirmadas em quase quatro semanas no país…

1 hora ago

AgroBV 2026 acontece de 30 de julho a 2 de agosto no Bom Intento

Evento ocorre na zona rural de Boa Vista com variedade de atrações para o público

2 horas ago

HGR pede comparecimento de familiares de paciente idoso internado

Antonio Braga de Oliveira, de 71 anos, internado no setor de sutura do Pronto-Socorro do…

2 horas ago

PRF: dois são presos com armas em Roraima

Prisões ocorreram em duas fiscalizações em diferentes pontos do estado

2 horas ago

Eleições 2026: TSE registra alta do eleitorado indígena

Região Norte concentra quase metade desses eleitores, cerca de 47%

2 horas ago