Economia

Juros do cartão de crédito voltam a subir e chegam a 432% em abril, aponta Banco Central

A taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito voltou a subir e chegou a 432,1% ao ano, em abril. O indicador teve alta de 3,7 pontos percentuais em relação a março, quando estava em 428,4% ao ano. Os dados fazem parte das Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta quinta-feira, 28, pelo Banco Central (BC).

Na prática, isso significa que qualquer dívida no cartão de crédito contraída há um ano cresce cinco vezes se o consumidor não pagar a fatura na data do vencimento.

Se um consumidor devia R$ 800 em março do ano passado, por exemplo, precisaria desembolsar mais R$ 3.456,80 para quitar o saldo devedor após um ano. O que totalizaria uma dívida de R$ 4.256,80.

Apesar desses patamares elevados, o Conselho Monetário Nacional (CNM) estabeleceu, em dezembro de 2023, um limite de 100% para os juros do rotativo. Ou seja, em cumprimento a uma lei aprovada pelo Congresso Nacional.

Assim, com a nova norma, se a dívida for de R$ 200, o valor total, com a cobrança de juros e encargos, não poderá exceder R$ 400.

Taxas

As taxas apresentadas pelo BC podem sugerir, portanto, que os bancos descumpram a lei, no entanto, os dados se tratam de um registro estatístico. E, para chegar aos percentuais anuais, a autoridade monetária projeta os juros mensais cobrados pelas instituições financeiras para o período de um ano.

Porém, nem sempre essa taxa é percebida na prática, pois o consumidor costuma ficar “pendurado” no cartão de crédito. Em outras palavras, que tem os juros mais elevados do mercado por alguns dias ou semanas, não por um ano ou mais.

Ainda assim, o Banco Central não pretende descontinuar essa série histórica, pois o indicador serve como referência para verificação da velocidade de oscilação dos juros e faz parte do cálculo da taxa média cobrada em todo o sistema financeiro.

Cheque especial

O cheque especial — a segunda linha de crédito mais cara no mercado e debitada diretamente na conta-corrente dos brasileiros — também subiu em abril.

Os juros médios chegaram a 141,1% ao ano — 2,2 pontos percentuais a menos do que o registrado em fevereiro. Nessa modalidade, uma dívida de R$ 800 mantida por um ano sem pagamento saltaria para R$ 1.928,80.

Para driblar os índices das modalidades com maiores taxas de juros do mercado, os consumidores ainda têm a opção do empréstimo consignado, com desconto direto na folha de pagamento.

Assim como nas demais categorias, a taxa dessa linha de crédito teve leve alta, de 0,2 ponto percentual em março, e figura em 28,2% ao ano.

Dentro do consignado, os juros variam de acordo com o grupo profissional: a menor taxa é cobrada dos beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), com 23,9% ao ano. Para servidores públicos e trabalhadores do setor privado, elas são de 23,7% e 56,3% ao ano, respectivamente.

Fonte: Portal R7

Josiele Oliveira

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