Mercado imobiliário de Boa Vista cresce e movimenta mais de R$ 200 milhões no 1º trimestre de 2026

Levantamento apresentado pelo Sinduscon-RR, Sebrae-RR e Brain Inteligência Estratégica aponta recorde de vendas, aumento no valor movimentado pelo setor e expectativa de novos lançamentos

Mercado imobiliário de Boa Vista cresce e movimenta mais de R$ 200 milhões no 1º trimestre de 2026
Foto: Divulgação/Sebrae-RR

O mercado imobiliário de Boa Vista iniciou 2026 em ritmo acelerado e registrou recorde histórico de vendas no primeiro trimestre do ano. Os dados foram apresentados nesta terça-feira, 26, durante a divulgação do 11º Censo do Mercado Imobiliário de Boa Vista. O evento foi realizado pelo Sinduscon-RR em parceria com o Sebrae Roraima e a FIER, com levantamento da Brain Inteligência Estratégica.

O estudo reúne informações sobre desempenho do mercado, comportamento do consumidor, tendências do setor, assim como cenário da construção civil em Boa Vista. Dessa forma, servindo como ferramenta estratégica para empresários, investidores e instituições ligadas ao segmento.

A analista de monitoramento do Sebrae-RR, Francisleia Prestes, reforçou a importância da parceria entre as instituições no fortalecimento da economia local e apoio ao desenvolvimento do mercado imobiliário.

“O Sebrae entende o desenvolvimento do estado como uma cadeia. Quando a construção civil cresce, outros setores também acompanham esse crescimento. Isso acaba impactando diretamente os pequenos negócios, gerando mais oportunidades e fortalecendo a economia como um todo”, explicou.

De acordo com a analista, a parceria entre Sebrae, Sinduscon-RR e Brain Inteligência Estratégica vem permitindo acompanhar a evolução do mercado imobiliário roraimense ao longo dos últimos anos.

“Os dados ajudam empresários e investidores a tomarem decisões mais estratégicas e permitem entender melhor o comportamento do mercado, o perfil de crescimento da cidade e a própria evolução da cultura imobiliária local”, ressaltou.

Conforme o gestor da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, o primeiro trimestre de 2026 consolidou um novo momento para o mercado imobiliário local.

“O quarto trimestre de 2025 já havia sido o melhor trimestre da nossa série histórica. Agora, no primeiro trimestre de 2026, tivemos o melhor início de ano já registrado. Foram mais de 1.500 unidades vendidas, mostrando que o mercado imobiliário de Boa Vista vem apresentando crescimento excepcional”, destacou.

Crescimento expressivo

Os números do levantamento confirmam esse avanço. Apenas entre janeiro e março deste ano, o mercado registrou a venda de mais de 1.500 unidades horizontais. Ou seja, crescimento expressivo em relação ao mesmo período de 2025.

O Valor Geral de Vendas (VGV) também apresentou forte expansão. O volume financeiro movimentado pelo setor, saiu de R$ 98 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 206,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 100%.

No segmento de lançamentos, o crescimento foi ainda mais robusto. O VGV lançado no mercado horizontal saltou de R$ 47,9 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 192,1 milhões no primeiro trimestre de 2026. O que representa uma impressionante alta de 300%. Em unidades, foram 1.912 lançamentos horizontais no período.

Além do crescimento nas vendas e lançamentos, o estudo mostra que Boa Vista encerrou o trimestre com 2.237 unidades horizontais disponíveis no mercado. Para Anderson Gonçalves, caso o ritmo de vendas continue elevado, o estoque atual pode ser absorvido rapidamente.

“Se o mercado continuar nessa velocidade tão significativa de vendas, em menos de um ano podemos zerar o nosso estoque. Isso significa que o setor já precisa começar a pensar em novos lançamentos para atender à demanda da cidade, porque senão, daqui uns dias, a gente não tem produto imobiliário dentro da cidade pra vender”, afirmou.

Loteamento

O levantamento considera como produtos horizontais os loteamentos abertos, loteamentos fechados e casas em condomínio. Atualmente, os loteamentos abertos representam a maior fatia do mercado imobiliário de Boa Vista. Eles concentram 86% das unidades lançadas em comercialização, com 9.648 unidades e ticket médio de R$ 126,5 mil.

Os loteamentos fechados somam 1.540 unidades lançadas, com ticket médio de R$ 413,2 mil. Enquanto as casas em condomínio, embora tenham o maior ticket médio (R$ 490,7 mil), apresentam a menor disponibilidade. Ou seja, apenas 4 unidades no estoque final.

Outro dado apresentado no censo aponta que o mercado horizontal possui atualmente 11.214 unidades lançadas, das quais 8.977 já foram vendidas, o que representa uma absorção de 80,1% do total ofertado.

Censo imobiliário

Durante o evento, o presidente do Sinduscon-RR, Clerlânio Fernandes de Holanda, destacou que o censo se tornou uma importante ferramenta para acompanhar a economia do estado.

“Esse levantamento é muito mais do que números. Ele retrata a economia, as famílias, os investidores e a capacidade de crescimento da nossa cidade. Mesmo diante de desafios como juros elevados, custo do crédito, infraestrutura, segurança jurídica e déficit de mão de obra, a construção civil segue sendo um dos setores que mais gera emprego e renda no país”, afirmou.

Clerlânio também mencionou o cenário político vivido por Roraima, marcado por mudanças de governo e realização de duas eleições em curto espaço de tempo, fatores que, segundo ele, acabam gerando cautela no mercado.

“Naturalmente isso traz atenção e prudência para os investidores, mas a construção civil continua firme, acompanhando tudo com planejamento e acreditando no potencial de desenvolvimento do estado”, completou.

Consolidado como uma ferramenta de inteligência de mercado em Roraima, o 11º Censo Imobiliário auxilia empresários, investidores e instituições no acompanhamento do cenário econômico, planejamento de investimentos e identificação de demandas do setor da construção civil.

Entre os dados apresentados no levantamento, destacaram, por exemplo, que a maior oferta horizontal lançada em Boa Vista ocorreu em 2024, com 5.192 unidades. Já os empreendimentos lançados até 2022 apresentam atualmente a menor disponibilidade de unidades, com apenas 1,5% de oferta final, indicando forte absorção pelo mercado.

Desse modo, o estudo aponta ainda que os preços médios dos empreendimentos horizontais seguem em crescimento em diferentes segmentos, demonstrando o aquecimento contínuo do setor imobiliário na capital roraimense.

Fonte: Da Redação

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