Reunião ocorreu a pedido de tuxauas e da comunidade - Foto: Divulgação/SEED
A Secretaria de Educação e Desporto (Seed) anunciou nessa terça-feira (23), o retorno do gestor à Escola Estadual Indígena Nossa Senhora da Consolata, na comunidade Manoá, em Bonfim. A decisão ocorre após tuxauas e comunidade repudiarem a atitude da pasta em exonerar o gestor do cargo.
Anteriormente, a secretaria demitiu o professor devido denúncias de pais de alunos sobre a falta de estrutura na unidade. Sem reforma, as aulas estavam sendo realizadas em um barracão.
Após a exoneração, no último dia 18, a Seed já havia publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) outro nome para ocupar o cargo. No entanto, com a repercussão do caso, a secretária de educação Leila Perussolo esteve na comunidade, a pedido de 20 tuxauas da região da Serra da Lua.
Em um vídeo da reunião enviado ao Roraima em Tempo, a secretária rebateu as acusações de intimidação e afirmou que exoneração do diretor foi feita por ela, ao contrário do que o gestor afirmou.
“Quem exonerou o professor foi eu, ele não pediu exoneração. Eu não intimidei ninguém. Quando eu vi o vídeo liguei para o professor e perguntei ‘professor o que é isso?’ Porque a escola que eu tenho foto são aquelas, só que é uma realidade que eu não sabia”, disse.
Na reunião estiveram presentes Gerson Cláudio, representante Organização dos Professores Indígenas de Roraima (Opirr), além de pais, professores, estudantes e tuxauas de outras comunidades indígenas do município.
Conforme o gestor, a decisão não passou por negociações. O retorno foi definido após exigências das próprias lideranças. Assim, ele deve permanecer no cargo até a próxima avaliação.
“Apenas agradecer todos os tuxauas, Opirr e demais companheiros que repudiaram sobre a situação. Que a educação escolar indígena seja um pedaço para desenvolvimento do estado e para o mundo”, afirmou o gestor.
No dia 09 de março, a mãe de um dos estudantes da escola procurou a reportagem. De acordo com ela, os alunos estavam há um mês estudando em um barracão por falta de sala de aula.
Mesmo com o lugar improvisado, os alunos enfrenta dificuldades pois, com o início do período chuvoso, o telhado caiu e a chuva invadiu o lugar.
Na ocasião da denúncia, conforme o gestor, a secretária de educação pediu que ele revelasse quem era o professor responsável pela filmagem da escola, senão seria exonerado. Contudo, a denúncia foi feita pela mãe de um dos estudantes.
“A Secretaria de Educação queria que eu dissesse ao contrário. Eu preferi ser exonerado, assim, sai de cabeça erguida e lutando pelo que nós todos almejamos: uma educação de qualidade”, disse.
Uma denunciante, que preferiu não se identificar, revelou que a secretaria de educação chegou a ameaçar de exoneração os demais servidores da escola.
“A senhora secretaria usa de seu poder para encobrir a real situação das escolas do interior, principalmente das comunidades indígenas”, avaliou.
Em carta de repúdio, moradores e pais de alunos da escola avaliaram o caso como assédio moral e intimidação ao servidor. Ainda de acordo com o documento, a demissão do gestor desrespeitava as leis que garantem os processos de organização social das comunidades indígenas.
Já na carta dos tuxauas, as lideranças classificaram a demissão como “autoritarismo” e reforçaram que o direito a escolha dos gestores das escolas foi uma conquista dos povos indígenas.
Fonte: Da Redação
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