Educação

Professores da rede estadual paralisam atividades e protestam no Centro Cívico

Professores da rede estadual se reuniram na manhã desta quarta-feira, 14, em frente ao Palácio Senador Hélio Campos. A manifestação reivindica progressão salarial, pagamentos de gratificações retroativas de 2024 prometidas pelo Governo de Roraima, além de melhorias de condições de trabalho.

Uma das principais reinvindicações são as gratificações verticais e horizontais. Essas gratificações fazem parte de um incentivo. A medida em que os professores se especializam em sua área, ou seja, para graduação, especialização, pós-graduação, mestrado e doutorado, há um valor estabelecido de bonificação por melhorar a qualidade do ensino público.

Edilson Palmiere é professor concursado e leciona a disciplina de Inglês na rede estadual há três anos. Ele explica que, para ter direito às gratificações, docentes passam por um processo probatório de três anos. Ele fala do sentimento de indignação e dos valores acumulados pela Seed.

“Quem tem, por exemplo, mestrado, quando você faz o pedido de progressão pela lei estadual, a progressão é deferida a partir do próximo exercício, quer dizer, a gente faz o pedido em 2025, só lá em 2026 a gente vai ter direito a essa progressão. Se não é deferido, em 12 meses, nós teríamos um prejuízo como mestre de quase R$ 66 mil que a gente deixa de receber. E quem é doutor, o prejuízo é muito maior, porque o doutor passa a ter um prejuízo de R$ 74 mil”, desabafou o professor.

Além disso, o professor comenta a tristeza em sentir-se desvalorizado pelo Governo do Estado. “É triste, porque outro dia fui ver ali, para a saúde indígena, um técnico tá recebendo mais que a gente. Quer dizer, a gente estuda por cinco anos de graduação, mais um ano de especialização, mais três anos de mestrado, tem professor que fica mais quatro anos de doutorado. Quer dizer, você estuda a vida inteira, aí a pessoa que não tem todo o estudo, o Governo Federal, vai lá e paga mais do que o professor. Então sabe, é muito triste, a gente não se sente valorizado desse jeito”, desabafou.

Professores aposentados

A Associação dos Professores Aposentados do Estado de Roraima (Paer), também marcou presença na manifestação, onde reivindicava direitos da classe. À frente da associação, Neuza Weigner, que trabalhou na educação básica do estado de Roraima durante 28 anos. Ela denuncia que professores aposentados deixaram de receber alguns de seus direitos.

“A reivindicação que nós temos são as verbas rescisórias, o bônus permanência, que muitos dos nossos associados não receberam até o momento. E a maioria está nessa situação, com quatro, cinco anos aguardando. E também temos progressões horizontais e verticais ainda com pendência diante da aposentadoria, que muitos professores não usufruíram e estão com pendência em recebê-las.”

Neuza Weigner explicou ainda que cerca de 175 professores aposentados estão nessa situação.

Melhorias nas condições de trabalho

Do mesmo modo, outra pauta da manifestação é a quantidade de alunos, o que afeta diretamente na carga de trabalho. Valdemar Júnior, que é um dos líderes da manifestação, explica que a assistência de professores prestada a salas com mais de 30 alunos, seja com alunos especiais ou não, fica prejudicada.

“A questão da quantidade de alunos por sala: temos salas com três alunos especiais. E se a sala tem três alunos especiais tem que diminuir a quantidade de alunos para que o professor possa fazer um serviço de qualidade. Então isso está gerando essa revolta nos trabalhadores em educação, seja professor, seja técnico da rede estadual” disse.

Citada

Em nota, a Secretaria de Educação e Desporto de Roraima disse que já foram pagos R$ 12 milhões em retroativos de progressões verticais entre 2021 e 2022, e que 224 processos seguem em análise. Sobre os retroativos de 2024, esclareceu que os pagamentos dependem de disponibilidade orçamentária do Tesouro Estadual.

Sobre a gratificação GID e Gidae, a Secretaria informou que está sendo paga normalmente. Além disso, em relação ao limite de alunos por turma, o Estado salientou que segue a legislação federal, que permite até 35 estudantes no Ensino Fundamental e Médio.

Por fim, a Secretaria afirmou que os professores da rede estadual recebem acima do piso nacional, com salário inicial de R$ 7.700,47 para 40h semanais, além de abonos extras pagos entre 2021 e 2024.

Fonte: Da Redação

Gabriel Mello

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