UERR inicia semestre com aulas pela internet

Universidade adotou regime de teletrabalho ainda em dezembro de 2025, após a empresa que fazia a limpeza dos campi suspender os serviços

UERR inicia semestre com aulas pela internet
Fachada Universidade Estadual de Roraima: Divulgação/UERR

A Universidade Estadual de Roraima (UERR) vai iniciar o primeiro semestre letivo de 2026 de forma remota, ou seja, pela internet. A medida foi anunciada em comunicado publicado pela instituição nesta quinta-feira, 19, em sua página oficial no Instagram. Os estudantes voltarão às aulas na próxima segunda-feira, 23.

A universidade atribui a mudança à abertura do sistema FIPLAN e ao processo de remanejamento orçamentário institucional. Segundo o comunicado, são fatores que impossibilitam temporariamente o início das atividades presenciais nos campi. Na nota, a UERR destaca que o formato não prejudicará as atividades administrativas.

A instituição criou salas virtuais em uma plataforma de ensino à distância para todas as disciplinas ofertadas no semestre 2026.1.

Teletrabalho

A Universidade Estadual de Roraima adotou o regime de teletrabalho ainda no dia 9 de dezembro de 2025. A medida atinge servidores docentes, técnicos-administrativos, comissionados e bolsistas.

Segundo a instituição, a decisão foi tomada após a empresa BRS Serviços e Comércio Ltda. suspender a prestação de serviços terceirizados essenciais às unidades da universidade.

De acordo com o edital do contrato, a empresa era responsável pela prestação de serviços contínuos de limpeza, conservação predial, apoio administrativo, recepção, vigilância patrimonial e atividades operacionais de suporte logístico nas unidades da universidade.

Crise

A Universidade Estadual de Roraima acumulou, nos últimos anos, um histórico de crises que têm como marco central a gestão do ex-reitor Regys Freitas. Sua passagem pelo comando da instituição chegou a ser alvo de investigações da Polícia Federal.

Entre os episódios está a Operação Cisne Negro, que apurou um suposto esquema de fraudes em contratos milionários da UERR. Conforme as investigações, o grupo investigado teria atuado no direcionamento de licitações, superfaturamento de obras e serviços, além de desvio de recursos públicos.

A PF apontou indícios de organização criminosa, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Durante o cumprimento de mandados, as equipes apreenderam dinheiro em espécie, joias, relógios de alto valor e moedas estrangeiras, além de bloqueio judicial de bens.

Além disso, outro foco de apuração foi a chamada Operação Meritum, que investigou suspeitas de fraude em vestibulares e concursos públicos ligados à universidade. Conforme a Polícia Federal, havia indícios de vazamento de provas, favorecimento de candidatos e manipulação de processos seletivos, principalmente ligados ao vestibular de Medicina. Regys Freitas e familiares foram, inclusive, alvos de mandados de busca e apreensão nesse inquérito.

MP denunciou ex-reitor

O Ministério Público de Roraima pediu a prisão do ex-reitor da Universidade, Regys Freitas, e empresários, por associação criminosa e crimes contra o patrimônio público.

De acordo com a Denúncia, o trio teria atuado de forma conjunta e organizada, entre os anos de 2016 e 2022, para direcionar contratações públicas em favor da empresa Ibiapino & Pinheiro Ltda., mediante dispensa irregular de licitação, fraude em procedimentos licitatórios e desvio de recursos públicos.

O então reitor da UERR, Regys Odlare Lima de Freitas, foi denunciado pelos crimes de peculato, dispensa ilegal de licitação e associação criminosa. Já os empresários Bruno Rheno Pinheiro e Silva e Shyrley Ibiapino Cirqueira, respondem pelos mesmos crimes, na condição de beneficiários e participantes do esquema.

A Denúncia encerra a primeira etapa da investigação com a acusação referente ao núcleo da associação criminosa, mas a investigação continuará em outras fases para aprofundar sobre a participação de outros servidores da Universidade, o acobertamento de provas e o crime de lavagem de dinheiro.

Conforme apurado, a atividade criminosa resultou em prejuízo mínimo de R$ 15.176.782,12 aos cofres públicos e deverá ser ressarcido de forma atualizada, com incidência de juros, o que totalizaria hoje o valor de R$ 27.623.000,00 (vinte e sete milhões, seiscentos e vinte e três mil reais).

Contrato milionário

Mesmo diante de uma crise, a Universidade Estadual de Roraima firmou um contrato sem licitação no valor de R$ 8,3 milhões com o Instituto Brasileiro e Ação Social (Ibras) em novembro do ano passado, para efetuar o projeto “Orgulho de Ser Uerr”.

Fonte: Da Redação

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