Com a intensificação do uso das mídias sociais, especialistas da área passaram a estudar a relação entre o uso excessivo e as doenças da mente que são desencadeadas e/ou agravadas por conta disso, dentre elas destacamos a ansiedade, depressão, baixa autoestima e distúrbios do sono. São muitos os casos de pessoas que buscam ser “validadas” nesse mundo digital e, somando-se a isso, nas mídias sociais muito raramente as pessoas externam seus problemas e dificuldades da vida, expondo apenas “coisas boas” e/ou uma vida de ficção que criam, o que gera comparações irreais por parte de quem acessa essas mídias, fazendo com que o sistema de recompensa cerebral fique esgotado.
Os impactos das mídias sociais na saúde mental podem ser devastadores para algumas pessoas, no entanto, cada caso deve ser avaliado por profissional da Psicologia, visto que, os problemas de saúde mental são multicausais, ou seja, comumente surgem de um conjunto complexo de fatores. Daí a importância em ter cuidado de apontar as mídias sociais como o único grande vilão que causa esses transtornos da mente. Entretanto, as mídias sociais usadas desregradamente podem servir de gatilhos que estimulam quadros clínicos de ansiedade, depressão, transtornos de autoimagem, dentre outros problemas de ordem mental.
Sensibilidade emocional
Pessoas que já tenham alguma sensibilidade emocional ou mesmo predisposição para esses transtornos da mente são as mais vulneráveis, já que a maioria das publicações não passam de recortes da realidade, onde se posta imagens de momentos lindos, felizes, palavras bonitas, marcantes, rostos e corpos perfeitos, rotinas suaves, trabalhos gratificantes, viagens maravilhosas e relacionamentos dignos de filmes românticos, enfim, de padrões ideais e inalcançáveis pela esmagadora maioria das pessoas e, até mesmo por quem está postando. Consequentemente surgem as comparações, especialmente se a pessoa que consome esses conteúdos de forma excessiva já se encontra em momento delicado de sua saúde mental, a qual internaliza que a vida dos outros é bem melhor que a sua, desencadeando emoções negativas, como a sensação de desvalor, o que contribui com autocobranças em excesso, as quais se somam a quadros de estresse, desmotivação e autodepreciação.
Dependência digital
Outro fator importante é o fenômeno da dependência digital. Diversos estudos já consagrados indicam que o uso excessivo de telas, particularmente para acessar mídias sociais, altera o funcionamento do cérebro, principalmente quanto aos neurotransmissores do bem-estar, já que contribui para aumentar os níveis de dependência no sistema de recompensa cerebral. Isso ocorre pelo fato de que esses estímulos constantes somados aos reforços positivos, como muitas “curtidas”, comentários e validações, fazem disparar a produção de dopamina, que é um hormônio responsável pelo prazer/satisfação. Vale ressaltar que o organism em estado de satisfação/prazer produz esse hormônio naturalmente, porém, devido aos altos estímulos que o uso das mídias socias promovem, fazem com que a produção desse hormônio seja acelerado e com baixo esforço cerebral, levando a depedência do uso das mídias sociais para se sentir satisfeito(a), onde esse ciclo vicioso vai cada vez mais se intensificando.
Impactos negativos
Vejamos os principais impactos psicológicos negativos que são desencadeados pelo uso excessivo das mídias sociais: a necessidade de estar sempre conectado(a) para se sentir bem e aceito pelas outras pessoas, aumentam os quadros de estresse e tristeza crônica, levando a transtornos de ansiedade e depressão; perfis editados positivamente com muito glamour e os recortes de momentos felizes, provocam sentimentos de inadequação e distorção da autoimagem, ou seja, as comparações sociais e baixa autoestima acabam aflorando; vício causado pela dependência química da dopamina por conta das “curtidas” e comentários positivos, levando o cérebro a produzir velozmente grandes quantidades desse hormônio, promovendo a sensação de prazer cada vez maior, se assemelhando a outros tipos de drogas ilícitas, podendo servir também de porta aberta para o consumo dessas substâncias ilegais; prejuízos cognitivos são comumente relatados em consultório, onde a capacidade de manter o foco fica bastante prejudicado, assim como, sobrecarrega o cérebro com muitas informações inúteis, provocando a redução na capacidade de memorizar informações importantes. Existem ainda vários relatos de cyberbullying, face que, a exposição excessiva nas mídias sociais, pode levar a julgamentos e ataques virtuais, aumentando os riscos de isolamento social e traumas. Orienta-se que em caso de se perceber algum dos sintomas acima relatados, procurar ajuda de profissional da Psicologia.

Hismayla Pinheiro é psicóloga clínica e especialista em avaliação psicológica com mais de 7 anos de experiência em consultório. Por aqui ela traz orientações valiosas nesse divã virtual de como manter sua saúde mental. Agende sua consulta: (95) 99144-1131.

