O Carnaval altera o comportamento humano e impacta na saúde mental. Especialistas apontam que a euforia, excesso de estímulos e a pressão social durante essas festas momescas, podem intensificar a ansiedade, impulsividade e queda emocional no pós-folia. O Carnaval é muito mais do que alguns dias de festa, embora seja um período para se divertir e aliviar tensões de muitas pessoas, pode também trazer uma série de acionamentos (gatilhos) que podem afetar o psicológico, intensificando a ansiedade, solidão e depressão, pois se trata de um fenômeno “biopsicossocial” que pode alterar profundamente o comportamento humano, onde muitas pessoas acreditam que as regras sociais no período de Carnaval estão suspensas, não se preocupando com as consequências advindas dessa postura e, é bastante comum ocorrer as famosas “ficadas de carnaval” (relacionamentos superficiais) que podem acionar vários “gatilhos” emocionais, tanto durante como no pós festa, já que se exige nesses eventos que todos estejam imbuídos de uma obrigação de se apresentar “feliz” e se possível, “ficar” com o maior número de parceiros(as).
Pressão social
A pressão social pela felicidade extrema e o excesso de estímulos são fatores preponderantes. Com base em análises psicológicas, destacamos alguns desses “gatilhos” que são acionados: a pressão social pela obrigação de estar feliz aciona o gatilho de que é necessário festejar, “ficar” com parceiros(as), sair com a turma e estar alegre o tempo todo, o que pode provocar uma sensação de inadequação para quem não compartilha dessa euforia/comportamento. Isso pode levar essa pessoa que está “fora da caixinha” a um sentimento de exclusão, inferioridade e, agravar os quadros pré-existentes de depressão, visto que, a pessoa tende a se comparar com os(as) amigos(as) “descolados”;
Outro fator que pode disparar esses gatilhos emocionais estão os excessos de estímulos e o contato com multidões comuns nesses eventos, em especial, dentro do próprio grupo de amigos(as) “descolados”, onde todo mundo “fica” com todo mundo numa mesma noite de festa, ocorrendo o “rodízio” de parceiros(as) de forma intensa. Some-se a isso as músicas em alto volume com sonoridade repetitiva, o contato corporal intenso e o ambiente lotado, estimulam o sistema nervoso a se manter de forma constante em estado de excitação. Isso pode desencadear crises de ansiedade, ataques de pânico, fadiga mental e estresse para aquelas pessoas mais sensíveis ou que já tenham algum transtorno de ansiedade;
Abuso de álcool e drogas
O abuso de álcool e drogas como “facilitadores” socias, fazendo com que algumas pessoas percam o freio moral e se permitem a praticar libertinagens, também alteram fortemente o humor, já que o álcool comprovadamente é um agente depressor do Sistema Nervoso Central, o que pode causar alterações rápidas de humor, indo da euforia a um sentimento de vazio (depressão);
A falsa “autorização” para ultrapassar limites das regras sociais, leva as pessoas a negligenciarem com os cuidados preventivos principalmente com as DST, enfim, com a própria segurança, podendo ficar a mercê de pessoas mal intencionadas, o que levará a conflitos posteriores, desconforto, culpa e remorso quando a festa terminar;
Sentir-se sozinho(a) mesmo no meio de multidões, face que, ao observar a facilidade com que outras pessoas interagem com as outras e mesmo, conseguem “ficar” com parceiros(as) diferentes numa mesma noite ou em noites seguintes, podem evidenciar a própria solidão, o que intensifica o sentimento negativo de isolamento e rejeição. Infelizmente se tornou comum a erotização e invasão de privacidade durante as festas de Carnaval, onde esse contato físico sem consentimento gera desconforto em pessoas que podem aflorar traumas do passado, provocando desconforto físico, emocional e sensação de insegurança;
“Depressão Pós-Festa”
Por fim, a famosa “Depressão Pós-Festa” conhecida popularmente como “ressaca moral ou ressaca emocional”. Com o fim da festa geralmente ocorre também o fim dos relacionamentos superficiais, bem como, o término repentino dos estímulos, com a volta da rotina quotidiana e cansaço físico da “maratona” de festas. Muitas pessoas experimentam o arrependimento por ter “ficado” com tantos(as) parceiros(as) e, em vários casos, até relacionamentos sérios que eram mantidos antes do Carnaval, são rompidos de forma traumatizantes. Esse pós festa desencadeia impactos emocionais negativos em muitas pessoas, especialmente a sensação de vazio que provoca tristeza profunda, agravando quadros depressivos, sendo verificado a queda brusca da Dopamina (é um neurotransmissor essencial no cérebro que regula o prazer, a motivação, o foco e o controle motor) após as festas momescas.
Especialistas recomendam que as pessoas devam respeitar os próprios limites, entender que não é obrigatório gostar da folia, especialmente se sentir obrigado(a) a “ficar” com diversos parceiros(as) por pressão do grupo social que está inserido(a), cuidar do corpo (hidratação e sono) e buscar espaços de menor estímulo se possível.

Hismayla Pinheiro é psicóloga clínica e especialista em avaliação psicológica com mais de 7 anos de experiência em consultório. Por aqui ela traz orientações valiosas nesse divã virtual de como manter sua saúde mental. Agende sua consulta: (95) 99144-1131.


