A Polícia Civil de Roraima (PCRR) apresentou o balanço das ações da Operação Mulher Segura, realizada de 19 de fevereiro a 5 de março, que resultou na prisão de 54 pessoas por crimes relacionados à violência contra a mulher.
No período da operação, os agentes atenderam 226 vítimas e solicitadas 179 Medidas Protetivas de Urgência (MPUs). Também registraram 213 boletins de ocorrência e realizadas 156 diligências policiais em todo o Estado, fortalecendo a atuação integrada no enfrentamento à violência doméstica e familiar.
A Operação Mulher Segura é uma iniciativa nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Em Roraima, a Secretaria de Segurança Pública coordenou as ações.
Prevenção e conscientização
No eixo preventivo e educativo, segundo a delegada Carla Gabriella Paulain, a operação promoveu 12 ações de panfletagem e 12 palestras, além de diversas atividades de conscientização nas plataformas digitais da instituição.
Além disso, as ações alcançaram aproximadamente 1.500 pessoas por meio das atividades de panfletagem. Bem como 1.115 participantes nas palestras presenciais, realizadas em escolas, instituições públicas, empresas privadas e unidades das Forças Armadas.
Nas redes sociais institucionais, os conteúdos educativos e informativos relacionados à campanha alcançaram mais de 15 mil pessoas.
“As ações de prevenção são fundamentais porque levam informação à população e ajudam a romper o ciclo de violência. Muitas vezes é a partir dessas orientações que a vítima passa a reconhecer a situação de violência e busca ajuda”, destacou a delegada.
Na capital Boa Vista, sete eventos reuniram aproximadamente 675 participantes, entre estudantes, militares e servidores públicos. Entre os locais que receberam as atividades estão o 18º Regimento de Cavalaria Mecanizado, escolas estaduais e empresas privadas.
Durante a operação também realizaram uma capacitação na Academia de Polícia Integrada Coronel Santiago (Apics). Assim, os policiais militares e guardas civis municipais participaram do curso de formação do município de Rorainópolis. Com foco no aprimoramento do atendimento às vítimas de violência doméstica e na abordagem humanizada e com perspectiva de gênero.
Ações no interior do Estado
Nos municípios de Bonfim, Uiramutã, Mucajaí e Rorainópolis houveram palestras e capacitações que alcançaram aproximadamente 340 pessoas. As atividades ocorreram em unidades escolares e incluíram treinamentos voltados a profissionais da segurança pública. Assim, envolveu policiais civis e militares dos municípios de São João da Baliza, Caroebe e São Luiz do Anauá.
Ações repressivas
No eixo repressivo, conforme as delegadas, a Polícia Civil realizou 156 diligências durante o período da operação. Isso, com foco na apuração de denúncias e no acompanhamento de casos de violência contra a mulher. Então, as equipes também atenderam 226 vítimas, oferecendo orientações, apoio para o registro de boletins de ocorrência e encaminhamento para solicitação de medidas de proteção judicial.
Também registraram 213 boletins de ocorrência e solicitadas 179 Medidas Protetivas de Urgência. Considerados fundamentais para garantir a segurança das vítimas e interromper ciclos de violência. Além disso, instauraram 15 inquéritos policiais, enquanto concluíram 46 procedimentos com autoria e materialidade comprovadas.
Prisões de agressores
Como resultado das ações repressivas, prenderam 54 pessoas por crimes relacionados à violência contra a mulher. Desse total, 40 prisões ocorreram em flagrante delito e 14 cumpriram por meio de mandados de prisão preventiva, expedidos pelo Poder Judiciário.
De acordo com a delegada Jaira Farias, os números demonstram a intensidade do trabalho desenvolvido durante a operação e a importância da atuação integrada das forças de segurança no enfrentamento à violência contra a mulher.
“Foi uma operação deflagrada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Senasp, com atuação integrada das forças de segurança. Em Roraima, a Polícia Civil teve participação efetiva por meio da Deam, com ações repressivas e preventivas voltadas à proteção das mulheres”, destacou.
Segundo a delegada, as ações também tiveram como objetivo fortalecer a capacitação dos profissionais da segurança pública.
“As atividades buscaram orientar e padronizar o atendimento humanizado às mulheres que procuram a polícia por serem vítimas de violência, garantindo acolhimento e encaminhamento adequado”, ressaltou.
Atuação pericial
Durante o período realizaram 55 exames de lesão corporal e cinco exames relacionados à violência sexual, destacando o papel da perícia criminal na produção de provas e no suporte às investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Violência contra a mulher em dados
Em 2023 a PCRR contabilizou 7.087 registros, número que caiu para 6.524 em 2024 e chegou a 4.721 em 2025, representando uma redução acumulada de aproximadamente 33,4%, com 18.332 ocorrências registradas no período.
Apesar da redução nos registros gerais, os dados indicam estabilidade no número de feminicídios consumados. Entre 2023 e 2025 foram registrados 20 feminicídios no Estado, sendo seis em 2023, sete em 2024 e sete em 2025.
Os registros de ameaça passaram de 2.618 ocorrências em 2023 para 884 em 2025, enquanto os casos de lesão corporal diminuíram de 1.861 para 1.304 no mesmo período. Já os registros de estupro, incluindo estupro de vulnerável, caíram de 139 ocorrências em 2023 para 92 em 2025.
Outro indicador analisado foi o descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência. Em 2024 foram registrados 792 casos, número que caiu para 408 em 2025, representando uma redução de aproximadamente 48,5%. Em janeiro de 2026 foram contabilizados 14 casos de descumprimento.
De acordo com a delegada Carla Gabriella Paulain, no contexto regional Roraima apresenta o menor número absoluto de feminicídios entre os estados da Região Norte. Conforme ela, dados do Tribunal de Justiça indicam que em 2025 registraram 10 tentativas de feminicídio e seis feminicídios consumados no Estado. Esses números que refletem o cenário atual da violência contra a mulher em Roraima.
Denúncias
As delegadas da Deam destacaram ainda que as mulheres estão cada vez mais conscientes sobre a importância de denunciar os agressores.
“É importante reforçar que denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas em qualquer delegacia da Polícia Civil ou por meio do número de telefone 180, canal nacional de atendimento que recebe relatos de violência e orienta as vítimas sobre os procedimentos para buscar ajuda e proteção”, finalizou a diretora Jaira Farias.
Fonte: Da Redação


