Caso Romano: policial civil alvo de operação recebeu ordem para monitorar carros da PF

Conforme depoimento do policial, Paulo Cézar indicou placas de veículos da PF para consultas

Caso Romano: policial civil alvo de operação recebeu ordem para monitorar carros da PF
Policial confirmou que tenente-coronel pediu monitoramento de placas de carros da PF – Foto: Divulgação

Um dos alvos da Operação Pulitzer II é policial civil. Ele recebeu ordens do tenente-coronel Paulo Cézar para monitorar placas de carros da Polícia Federal.

As informações estão no inquérito revelado com exclusividade pelo Roraima em Tempo, dias após a primeira fase da operação que investiga o sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos.

A juíza Graciete Sotto Mayor, relatora do caso, mandou apreender celulares, computadores e tablets, bem como “armas de fogo, munições, e peças de vestuário”.

Monitoramento e operação

De acordo com as investigações, o policial civil disse que recebeu ordens, em novembro do ano passado, para fazer o levantamento de placas de veículos.

Os carros já estavam sendo monitorados por outro servidor da Assembleia Legislativa, a mando do tenente-coronel, à época chefe do Gabinete Militar.

Conforme o depoimento do policial, Paulo Cézar indicou algumas das placas para consultas. Durante a pesquisa, o agente falou que viu que se tratava de veículo “velado, de investigação policial”.

Ele disse que, ao descobrir, deixou de responder ao tenente-coronel e foi para as proximidades da Superintendência da Polícia Federal em Roraima.

O policial confirmou que um veículo da frota da Assembleia Legislativa estava estacionado nas imediações da Polícia Federal.

“[…] naquele instante percebeu que [o servidor], motorista daquele veículo poderia estar no local fazendo o levantamento de veículos federais e repassando ao Coronel PAULO CEZAR”, diz o inquérito.

Confirmação em operação

Em depoimento, o tenente-coronel confirmou que pediu ao motorista para que monitorasse os carros da PF, mas desconhecia quais bancos de dados o policial civil acessava.

“Segundo o investigado [Paulo Cézar], tais diligências eram determinadas pelo Coronel FELIPE e tinham como finalidade o monitoramento/acompanhamento de eventual operação da Polícia Federal na ALE/RR ou na casa do Presidente [Jalser Renier]'”.

Pouco tempo depois do sequestro de Romano dos Anjos, o governador Antonio Denarium (PP) tinha pedido à PF que assumisse o caso.

O coronel Natanael Felipe de Oliveira Júnior era um dos nomes mais fortes da segurança pessoal do deputado Jalser Renier (SD).

Assim como o parlamentar, ele também foi preso ontem na operação por suspeita de envolvimento nos crimes. Coronel Felipe, de acordo com os inquéritos, participava de uma organização criminosa chefiada por Jalser.

Sequestro

O sequestro do jornalista Romano dos Anjos ocorreu no dia 26 de outubro do ano passado. Bandidos o retiraram de casa, o torturam, e em seguida o deixaram em uma área na região o Bom Intento, na zona Rural de Boa Vista.

Romano estava com pés e mãos amarrados com fita adesiva, mas conseguiu se soltar. Como resultado, ele passou toda a noite próximo a uma árvore. Os criminosos queimaram o carro do jornalista.

Romano relatou que havia saído para comprar sushi com a esposa, Nattacha Vasconcelos, na noite do crime. Entretanto, não percebeu se estava sendo seguido ao ir ao estabelecimento no bairro Pricumã.

Ao chegar em casa, no bairro Aeroporto, fechou o portão, travou o carro, mas não fechou com a chave a porta da residência, pois os cachorros estavam soltos.

Detalhes

Quando jantava com a esposa, ouviu o latido do cachorro, saiu para ver o que era, mas ao abrir a porta se deparou com três criminosos armados, sendo que um fazia segurança.

Os bandidos colocaram o casal no quarto, pediram dinheiro e perguntaram onde ficava o cofre. Romano foi algemado e teve boca e olhos vedados com fita.

Em seguida, o levantaram por meio de “técnica típica” que os policiais usam para conduzir presos.

Na sala da casa pediram a chave do carro. O jornalista disse onde estava e pediu que deixassem a carteira com documentos.

Os criminosos mandaram que ele calasse a boca, usaram fita, mas do queixo até a parte de trás da cabeça, o colocaram na parte de trás do veículo e deixaram a casa.

Um dos sequestradores mantinha a cabeça do jornalista para baixo. Em determinado momento, ele acredita que um deles “falou possivelmente em um rádio de comunicação para informar que estavam chegando no local combinado”.

Pararam o carro e colocaram Romano em outro veículo, que acreditou ser uma caminhonete, “pela altura e barulho do motor a diesel”.

Logo depois, foi tirado do carro, retiradas as algemas, mas as mãos foram amarradas com uma corda. Além disso, um capuz foi colocado na cabeça dele.

Romano disse à Civil que um dos bandidos falou: “Você gosta de denunciar, né?”. Outro criminoso, que tentava falar em espanhol, perguntou: “Você gosta de denunciar o Denarium? Você gosta de denunciar o senador Mecias?”. Em seguida, ele foi agredido no peito, joelho e braços.

O jornalista contou que outra pessoa, que ele não tinha ouvido a voz até então, disse: “Ok! Acabou! Vamos!”. Após a ordem do suposto líder, o abandonaram na zona Rural de Boa Vista, onde foi encontrado na manhã do dia 27 de outubro.

Por Redação

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