Polícia

Depoimento: comandante da PMRR teria orientado ex-segurança do governador a se desfazer de celular usado durante duplo homicídio no Cantá

O ex-segurança do governador de Roraima, capitão Helton Jhon Silva de Souza, prestou depoimento à Polícia Civil de Roraima (PCRR). Ele confessou que estava no local dos homicídios dos produtores Flávia Guilarducci, de 50 anos, e Jânio Bonfim de Souza, de 57 anos, mas quem efetuou os disparos foi o empresário Caio Porto, que está foragido. Ele disse ainda que, após o crime, entrou em contato com o comandante-geral da Polícia Militar de Roraima (PMRR), o coronel Miramilton Goiano. Conforme Helton Jhon, o comandante lhe orientou a se desfazer do celular que usava durante o crime.

Helton contou que, após o expediente, ao sair do Palácio do Governo, ligou para o comandante, contou o que tinha ocorrido e que o seu celular tocou enquanto estava na residência do casal com Caio Porto. O comandante então perguntou se ele tinha a tecnologia VPN no aparelho que torna a localização invisível e ele respondeu que não.

“Aí voltando agora pro coronel… eu falei: tava. Aí ele falou: pois então, troca esse celular. E eu falei: sim senhor”.

Questionado pela Polícia Civil sobre o que ele fez com o celular, o policial explicou que pediu para seu filho vender.

Um dos investigadores pergunta se o capitão procurou outra autoridade e ele respondeu que buscou apenas o coronel Miramiltom. Em seguida, o agente perguntou se o comandante da PMRR em algum momento falou para ele se apresentar e Helton respondeu que não

Nota da PMRR

Em nota, o coronel Miramilton Goiano de Souza afirmou que recebeu com surpresa o teor do suposto depoimento prestado. Disse ainda que não recebeu nenhuma ligação telefônica horas após o crime em que o capitão Helton Jhon é investigado.

O comandante explicou que recebeu uma ligação do capitão Helton dias após o crime ocorrido. No entanto, em nenhum momento da conversa o capitão lhe confessou qualquer cometimento de crime, “até porque seria ilógico alguém confessar um crime por ligação telefônica”.

O coronel afirmou ainda que não houve nenhuma orientação para que Helton se desfizesse de telefone e que, assim que ocorreu a divulgação do áudio e a suspeição de envolvimento do capitão no crime, a orientação sempre foi para que o militar se apresentasse e expusesse sua versão às autoridades.

Comandante em escândalo nacional

Em maio deste ano, o jornal O Globo publicou uma reportagem sobre o envolvimento de dezenas de policiais militares em formação de milícia e grupo de extermínio para proteger e roubar garimpeiros.

No total, O Globo apurou que mais de 40 policiais militares estariam envolvidos em diversos atos ilícitos. Entre os citados por testemunhas ouvidas pelas autoridades está o atual comandante-geral da PMRR, Miramilton Goiano de Souza. Em nota, o coronel disse ao jornal que as suspeitas “são inverídicas, sem fundamentos e não se sustentam quando colocadas diante dos mais de 34 anos na corporação”.

As investigações sobre a constituição de milícia por parte de policiais militares tiveram início em setembro de 2022, quando oficiais da ativa participaram de uma desastrada tentativa de roubo de um avião, usado em viagens para garimpos localizados na terra indígena e de propriedade de Efraim Hadan Abreu da Silva, o “Smith”, segundo aponta o inquérito de número 3027/2022, com 1.006 páginas, da Polícia Civil de Roraima, ao qual O Globo teve acesso.

Mascarados e vestidos de preto, seis homens armados renderam os pais de “Smith” e outras quatro pessoas, no sítio Novo Paraíso. A propriedade fica na zona rural de Boa Vista, onde funciona uma pista de pouso.

Os criminosos se apresentaram às vítimas rendidas como PMs do Batalhão de Operações Especiais (BOPE).  Entre eles, estava Carlos Nascimento de Melo, descrito no inquérito como um dos responsáveis por recrutar policiais militares para atuar na segurança privada de garimpos ilegais. De acordo com “Smith”, Carlos Nascimento “teria sido apresentado e recomendado pelo coronel Miramilton”.

Liberação de policiais para serviços privados

O nome do comandante da PMRR também é citado nas investigações. Depoimentos de testemunhas ao longo das investigações envolvem “um militar de alta patente”, que seria o responsável por garantir o fornecimento de munições, armas e coletes, além de liberar policiais militares do serviço para trabalhos de segurança privada. O Globo apurou que o militar citado nos depoimentos e nas investigações em curso é o coronel Miramilton. As testemunhas entraram para o serviço de proteção.

Comandante foi visitar investigado pela PF

De acordo com O Globo, outra investigação para desarticular uma facção criminosa com base na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), em Roraima, desta vez da Polícia Federal, o nome do coronel Miramilton volta a figurar em relações suspeitas. Um dos investigados pela PF é o agente penitenciário Renie Pugsley de Souza, filho do atual Comandante-Geral da PMRR.

Os dois teriam feito ao menos três visitas irregulares ao interno Jonathan Novaes de Almeida, preso na Operação K’daai Maqsin, de 2019. A operação investigou uma organização responsável por vender armas e munições ilegalmente para garimpos e facções criminosas.

Conforme a PF, Renie de Souza, que usava uma balaclava nas visitas, não estava lotado na unidade prisional e seu pai não apresentava vínculos com a Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc). 

Fonte: Da Redação

Rosi Martins

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