Vítima Débora Bezerra e réu Acrízio Silva Leite - Foto: Reprodução
Graciane Silva, mãe de Débora dos Santos, adolescente morta a tiros em Rorainópolis, interior de Roraima, no dia 4 de maio, manifestou indignação com a liberdade do policial militar Acrízio Silva Leite, réu no caso. Ele está solto desde agosto, após decisão que revogou sua prisão preventiva.
A soltura foi autorizada pelo juiz Raimundo Anastácio Carvalho Dutra Filho. Na decisão, o magistrado afirma que todas as provas e informações imprescindíveis já foram colhidas, que a instrução está finalizada e que não há atos do réu que indiquem risco à ordem pública. Ele também levou em conta o tempo de prisão já cumprido pelo PM.
Com isso, Acrízio passou a responder pelo processo em liberdade com duas medidas cautelares: uso de tornozeleira eletrônica e obrigação de comunicar qualquer mudança de endereço ou ausência superior a sete dias.
Ao ouvir que o policial estaria solto, a mãe da vítima buscou o Ministério Público e recebeu a informação de que não há previsão de julgamento. Conforme relatado por ela à reportagem, a Promotoria pediu quatro vezes o retorno do réu à prisão, mas todos foram negados.
“Eu não esperava isso do Estado que eu moro. Aconteceu um caso desse e o próprio Estado soltar ele. O promotor me informou que não tem previsão para o julgamento dele. Pode ser que aconteça no final do ano que vem, mas eles vão ficar empurrando com a barriga, da parte do advogado dele”, disse a mulher.
Ao Roraima em Tempo, o MP informou que desde o início do processo, em todas as solicitações apresentadas pela defesa do PM, tem se posicionado de forma consistente contra a concessão de liberdade, por entender que permanecem presentes os requisitos legais que justificam a prisão preventiva dele.
Graciane também se manifestou em relação à Polícia Militar de Roraima que, segundo ela, até então, não puniu devidamente Acrízio que, por exemplo, segue recebendo salários que ultrapassam R$ 10 mil. “Ele segue a vida dele normal em Boa Vista. Ele não pode se ausentar mais de 7 dias da capital, ou seja, está transitando em Rorainópolis normalmente”, relatou a mãe de Débora, que mora no município do interior do estado.
Em nota, a corporação informou que instaurou um Conselho de Disciplina para análise da conduta do militar, garantindo todas as etapas legais do processo administrativo, incluindo o contraditório e a ampla defesa. A PM reforçou que todos os procedimentos seguem rigorosamente os protocolos estabelecidos e que cada medida adotada observa critérios técnicos, legais e administrativos, sem qualquer interferência externa.
Reportagens anteriores do Roraima em Tempo reveleram prints de conversas no WhatsApp em que o PM marca encontro com a adolescente no dia do crime. Veja:
Outra matéria publicada pelo portal mostra um vídeo que registrou o policial levando a jovem para o local onde o corpo dela foi encontrado e retornando sozinho.
A Polícia Civil prendeu Acrízio no dia 10 de maio de 2024. Ele virou réu no dia 26 de junho daquele ano. A amiga da vítima contou em depoimento que Débora namorava o policial e que ele era casado.
Em entrevista à Rádio 93 FM dias após o crime, a mãe da adolescente pediu justiça pela filha. Ela contou que, meses antes, a jovem solicitou medida protetiva contra o suspeito do assassinato e também chegou a registrar um boletim de ocorrência contra a esposa dele, que a agrediu em uma conveniência.
O Roraima em Tempo teve acesso ao boletim de ocorrência registrado em fevereiro pela adolescente. No documento, a vítima relata ter sido agredida com socos pela esposa do policial e ameaçada por ela, que teria dito “tu mexeu com a pessoa errada e tu vai morrer sem ninguém saber”.
A reportagem entrou em contato com a defesa do PM para pronunciamento e aguarda retorno.
Fonte: Da Redação
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