Policiais militares são presos em Roraima suspeitos de executar pessoas e simular confrontos durante ações

Prisões ocorreram durante Operação Janus deflagrada pela Polícia Civil de Roraima, em conjunto com a Sesp

Policiais militares são presos em Roraima suspeitos de executar pessoas e simular confrontos durante ações
Viatura da Polícia Civil – Foto: PCRR

Policiais militares foram presos nesta quarta-feira (17) por suspeita de simular confrontos para matar pessoas durante ações em Boa Vista.

A Polícia Civil deflagrou a Operação Janus na manhã de hoje. De acordo com as informações, os alvos da operação são o sargento Arnaldo Cinsinho Silva Melville, e os soldados Lucas Alexandre Rufino Araruna e André Galúcio Souza. As informações são do Portal G1.

As investigações da Polícia Civil de Roraima (PCRR) e da Secretaria Estadual de Segurança apontam que os policiais entravam nas residências sem mandados judiciais. No Relatório de Ocorrência Policial (ROP) os militares afirmavam que as pessoas abordadas faziam disparos contra eles. Por conta disso, eles revidavam.

O Roraima em Tempo teve acesso a um relatório que mostra três casos em que os policiais estavam envolvidos. Em todos os casos, após a execução das vítimas, os agentes as removeram para o hospital sob alegação de preservar a vida. Contudo, de acordo com o constatado nas investigações, as vítimas já chegaram ao Pronto Socorro sem vida.

Três casos em que policiais militares estão sob investigação

Um dos casos pelos quais os PMs são investigados aconteceu em 14 de dezembro do ano passado. Conforme o inquérito, os policiais estacionaram a viatura em uma casa antes da residência do alvo.

Os militares explicaram em depoimento que faziam patrulhamento pelo bairro São Bento quando populares os pararam e denunciaram uma ‘boca de fumo’ no referido endereço.

Ao chegar no local, conforme a versão dos policiais , o jovem Pedro Henrique de Moura, vulgo “Bigode”, teria corrido para dentro de residência e um deles entrou atrás. Eles alegam que o jovem efetuou disparos de dentro do quarto, momento em que adentraram e também atiraram, atingindo-o no tórax.

Por outro lado, segundo a versão das testemunhas, os policiais chegaram à casa perguntando por drogas e armas. Uma das testemunhas relatou que um dos militares chegou a falar para a vítima que tinha chegado a sua hora.

Outra testemunha afirmou que teve o celular tomado pelos PMs para não filmar a ação. Além disso, os policiais teriam levado Pedro Henrique para dentro da casa e logo depois asa pessoas que estava do lado de fora ouviram cerca de 10 disparos de arma de fogo. Depois a viatura encostou de ré no terreno e os policiais colocaram a vítima no camburão e levaram para o hospital.

Imagens das câmeras do Pronto Socorro mostram o momento em que a viatura chega no local. Os policiais colocam o corpo do jovem na maca de forma que ele quase caiu, chegando a encostar a mão no chão. Os médicos constataram o óbito do paciente.

De acordo com o inquérito, outros dois casos semelhantes ocorreram em outubro e dezembro de 2023 e estão sob investigação.

O que diz a defesa dos policiais

“Não se pode imputar a heróis de farda, que carregam o ônus da segurança pública, arriscando suas vidas diariamente em confrontos armados contra o crime organizado, deduções ausentes de evidências plausíveis. A defesa provará a inocência”, disse o advogado Gustavo Hugo de Andrade ao G1.

O que diz a Polícia Militar

Em nota a Polícia Militar de Roraima (PMRR) disse que está buscando junto às autoridades da Segurança Pública Estadual e Justiça, informações mais precisas sobre os autos do inquérito que culminou na prisão dos policiais militares, a fim de se posicionar mais especificamente.

Disse ainda que a Corregedoria da corporação militar está acompanhando o caso e todas as medidas administrativas serão adotadas caso seja comprovada a veracidade dos fatos; os envolvidos serão responsabilizados com o devido rigor, respeitando-se o amplo direito de defesa e o contraditório.

Fonte: Da Redação

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