Política

Investigação da PF revela possível fraude em contratos da Prefeitura de Bonfim após apreensão de R$ 510 mil em espécie na capital

A prisão de três pessoas e a apreensão de R$ 510 mil em espécie pela Polícia Federal (PF) em Boa Vista na terça-feira, 30, apontou para um possível esquema suspeito de fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos milionários da Prefeitura de Bonfim.

Conforme inquérito policial, ao qual o Roraima em Tempo teve acesso nesta quinta-feira, 2, a investigação revelou que os valores estariam ligados a uma construtora (considerada de fachada), que desde 2020 firmou contratos de mais de R$ 50 milhões, mas sem estrutura compatível para executar as obras.

Entre os contratos analisados pela PF está um de R$ 8,3 milhões, financiado por recursos classificados como “Transferência Especial”, que, segundo o documento, dificulta o rastreio detalhado da aplicação do dinheiro público. Durante pesquisa por informações adicionais sobre as obras, os investigadores descobriram que parte do financiamento dos serviços veio de uma emenda parlamentar apresentada pelo deputado estadual Coronel Chagas (Republicanos).

Outro contrato de R$ 41,9 milhões foi firmado via pregão presencial em 2025, mas não há informações claras sobre a origem do repasse.

Transferências financeiras

A Polícia Federal identificou ainda, por meio de celulares apreendidos dos presos na abordagem, transferências financeiras a servidores públicos de Bonfim. Entre eles, um agente de contratação da Prefeitura de Bonfim e um engenheiro civil, que teria recebido valores por meio de contas de familiares.

A PF detectou medições fraudulentas de obras. O engenheiro teria atestado serviços não realizados, liberando pagamentos indevidos. O ex-prefeito de Bonfim, Joner Chagas, aparece nos diálogos como articulador das operações. Ele teria determinado pagamentos e até orientando a forma de apresentação das obras como se fossem ações oficiais.

Além disso, as investigações mostram que o esquema girava em torno de duas mulheres, mãe e filha, presas na última terça-feira. No dia 3 de julho deste ano, a jovem, de 21 anos, tornou-se única sócia de uma empresa, também ligada a obras municipais da cidade. Conforme o inquérito, um dia após a suposta aquisição da empresa, ela assinou uma procuração que deu poderes à mãe. Ela é, desde 2020, dona da firma que possui contratos que somam mais de R$ 50 milhões com a Prefeitura de Bonfim.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura do município e com o ex-prefeito de Bonfim, Joner Chagas. O Roraima em Tempo aguarda retorno.

Fonte: Da Redação

Lara Muniz

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