Com uma proposta inovadora e sensível, a Escola Municipal Jael da Silva Barradas está promovendo inclusão através do projeto “Personalizar para Alfabetizar, Letrar e Encantar no AEE (Atendimento Educacional Especializado)”, desenvolvido na Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) da unidade. A iniciativa valoriza os interesses individuais das crianças com deficiência, em especial aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A proposta é simples e, ao mesmo tempo, poderosa: identificar o hiperfoco dos alunos — ou seja, aqueles assuntos que despertam maior atenção e entusiasmo – e, a partir dele, desenvolver atividades pedagógicas como jogos, dramatizações e a produção de livros autorais, ferramentas que servem como ponto de partida para o processo de alfabetização.
Com base em princípios da neurociência educacional e na valorização da individualidade de cada estudante, o projeto, elaborado pelas professoras Fátima Veira e Luane Costa, propõe ambientes seguros e acolhedores para o desenvolvimento da aprendizagem.
Entre os protagonistas dessa jornada está Alfredo Oliveira Sena Queiroz, de apenas 8 anos. Fascinado pelo espaço sideral, astronautas e planetas, ele teve sua paixão transformada em um livro, oralizado por ele e escrito com o apoio das professoras. O título? “O Astronauta”, uma narrativa envolvente que mistura aventura, amizade, assim como superação.
Fátima explicou como surgiu a ideia do projeto e a importância de personalizar o processo de ensino com base no interesse dos alunos. “Desenvolver o projeto a partir do hiperfoco foi a chave para conquistar a atenção dos alunos. O Alfredo, por exemplo, começou com uma frase e não parou mais. O livro dele foi só o começo. Estamos criando jogos e outras atividades com base na história. Esse processo fortalece o foco, a criatividade, e o mais importante: mostra para a criança que ela é capaz de aprender e criar”.
Ao falar sobre a trajetória do filho, a mãe de Alfredo, Silvana Sena, expressou com emoção o impacto que o projeto tem causado na vida dele — e de toda a família.
“Eu sou muito orgulhosa dele e da equipe da escola. O projeto deu a ele suporte e motivação. A escola tem sido essencial para o crescimento emocional e social do Alfredo. Ele aprendeu a esperar, a interagir e está mais controlado emocionalmente. É uma transformação diária. E esse livro é um símbolo disso”, contou.
Além disso, Silvana também destacou o acolhimento da unidade escolar e a importância de iniciativas como essa para famílias de crianças atípicas.
“Quando a gente tem um filho atípico, fica receosa em como será a vivência dele na escola. Mas aqui ele encontrou um lugar de apoio, de respeito, onde pode crescer. Ver ele sendo autor da própria história é emocionante”, disse.
O astronauta Afure embarca em uma missão ao planeta Júpiter, mas acaba capturado por um alienígena. Após escapar usando um “laser chave”, ele então descobre que o alien só queria um amigo. Os dois conversam, se despedem e o astronauta volta para a Terra com uma nova amizade no coração.
A iniciativa do projeto está alinhada com os avanços que Boa Vista vem promovendo na área da Educação Especial. Atualmente, a rede atende 2.875 estudantes do público-alvo da educação especial — sendo 2.108 deles com autismo.
São 155 professores especialistas atuando com AEE em 79 Salas de Recursos Multifuncionais. Além disso, a rede conta com dois centros especializados: o CETEA e o CMIEE, que oferecem suporte multidisciplinar às crianças com deficiência.
Para fortalecer ainda mais esse atendimento, a prefeitura investiu na aquisição de quase 2 mil materiais pedagógicos e terapêuticos em 2024, como jogos, brinquedos, equipamentos para fisioterapia e comunicação alternativa.
Fonte: Da Redação
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