Hoje é o segundo aniversário da maternidade de lona do Governo Denarium. A ironia seria até engraçada se a realidade não fosse tão trágica. São dois anos que as gestantes de Roraima passam humilhação naquela estrutura improvisada de tendas e lonas. Somente nos primeiros 37 dias deste ano, 28 bebês morreram na unidade. Um verdadeiro escândalo na saúde. Mas até agora, ninguém foi responsabilizado.
Muito pelo contrário. A secretária de saúde, Cecília Lorezon, além de manter a situação, ainda faz comentários pejorativos para humilhar ainda mais as pacientes. Impossível não lembrar de quando uma grávida, jogada no chão, chorava em desespero implorando por atendimento. Cecília, ao comentar sobre o assunto, disse que “tem gente que se presta a dar show”.
Como recompensa, Cecília Lorezon recebe um salário de quase R$ 30 mil pela Sesau e ainda um de R$ 5 mil pela Companhia Energética de Roraima (CERR). E continua intocável na Sesau após as atrocidades cometidas.
Nem mesmo o aluguel da maternidade de lona Cecília tem honrado. A empresa já chegou até a procurar a imprensa para denunciar. A Sesau já estava há oito meses sem pagar o aluguel. O débito já era de mais de R$ 8 milhões.
Cecília Lorenzon também não compareceu a uma audiência pública com o tema “Violência obstétrica e morte materna: panorama do sistema de saúde”, que aconteceu na Câmara dos Deputados. A participação da titular havia sido solicitada pela deputada Helena Lima (MDB-RR). A secretária devia explicar os óbitos registrados no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth. No entanto, ignorou a audiência assim como ignorou as mortes dos bebês.
Silêncio
Tão violento quanto a má gestão da Sesau para com a maternidade, é o silêncio dos deputados estaduais. Somente este ano alguns deputados resolveram ir até o local. E só aqueles que fazem parte da comissão de saúde. As cinco deputadas nunca se pronunciaram sobre o assunto. Nem mesmo quando o vídeo da gestante em desespero circulou nas redes sociais, nem após o comentário de Cecília Lorezon. As deputadas não têm empatia, sororidade e também não representam as mulheres de Roraima.
Por outro lado, diferente dos deputados, o Ministério Público de Roraima (MPRR) não se calou diante da situação. Mas também pouco fez para obrigar o estado a solucionar. Já são dois anos que a maternidade funciona em um local inapropriado e o MPRR nunca ajuizou uma ação. Além disso, somente este ano o órgão fiscalizador decidiu firmar um TAC com o Governo para a conclusão da reforma do prédio.
E, absurdamente, o acordo prevê que a primeira etapa da obra deve ser concluída no prazo de até 1 ano, a partir da data de assinatura do documento, 6 de março de 2023. Dessa forma, a segunda etapa (ampliação), a qual prevê duas salas de parto, dois blocos de enfermaria, duas unidades de tratamento intensivo e setor administrativo deve ser entregue no prazo máximo de dois anos.
Também é importante lembrar que o Governo perdeu as verbas de cerca de R$ 17 milhões de emendas parlamentares para a reforma do prédio. Esta redação já questionou o Governo de onde vai tirar esse dinheiro para poder concluir a reforma, mas o governador se manteve em silêncio.