Governo quer privatizar o HGR através da seleção de Organização Social para gerenciar a unidade

Atual gestão tem demonstrado que a prioridade não é a saúde

Governo quer privatizar o HGR através da seleção de Organização Social para gerenciar a unidade
Hospital Geral de Roraima (HGR) — Foto: Divulgação/Secom RR

O Governo de Roraima está a um passo de privatizar a Saúde no Estado ao contratar uma entidade para gerenciar toda a operacionalização do Hospital Geral de Roraima (HGR) pelo valor anual de R$ 331.361.987,52.

A contratação não vai ocorrer por meio de licitação, mas sim através de uma seleção. Segundo a Secretaria de Saúde (Sesau) a justificativa é que o excesso de leis e normas estariam atrapalhando o processo de gestão. Ou seja, ao permitir que uma entidade administre o maior hospital do estado, o que o Governo quer valorizar não é a qualidade do serviço com a população, mas o desempenho por meio de números.

A atual gestão tem demonstrado que a prioridade não é a saúde. A fila de cirurgias eletivas por exemplo, é alvo de constantes denúncias por parte da população. No último dia 20, a reportagem relatou a história de um idoso que espera há três anos na fila por uma cirurgia de prostatectomia em razão de um câncer de próstata. Ele chega a desmaiar de tanta dor. Além disso, o acompanhante do paciente ainda informou sobre o descaso no atendimento por parte da Sesau.

A estrutura

Do mesmo modo, pacientes relatam sobre as condições do prédio. O Governo do Estado anunciou 10 datas de conclusão da obra. Apesar de ter sido inaugurado em março deste ano, o anexo do HGR já apresenta vários problemas estruturais. Em agosto deste ano, servidores filmaram sangue escorrendo pelo teto do “Novo HGR”.

Interesses particulares

Já para os profissionais de saúde, o que vai mudar é que eles não serão mais funcionários públicos. Assim, eles se tornarão empregados do setor privado. E, caso não se submetam aos interesses da entidade, podem ser demitidos.

Além disso, a presença de entidades sem fins lucrativos na gestão do que é para ser controlado pelo Estado é um caminho para a corrupção em uma Secretaria que acumula denuncias de ‘esquemas milionários’.

Em outubro, uma denúncia anônima enviada ao Roraima em Tempo revelou que um médico do HGR recebeu R$ 415.301,82. A denúncia apontou que a maior parte do seu salário diz respeito a plantões extras de cirurgias eletivas. E, ainda assim, ele recebeu como policial militar, já que também é capitão da PM.

Mas o que pensar disso quando a própria Cecília Lorenzom, titular da Saúde, já recebeu quase R$ 900 mil do Governo do Estado em pouco mais de dois anos?

É que ela recebe tanto como secretária da pasta, como conselheira administrativa na Companhia Energética de Roraima (Cerr).

Pelo cargo na Sesau, os vencimentos da Cecília são de R$ 23.175,00. Já como conselheira, o salário é de R$ 5.793,75. Assim, ela recebe R$ 28.968,75 ao todo.

‘Daqui para a pior’

A contratação de uma entidade  para resolver os problemas do HGR  sob o argumento de que as políticas e serviços sociais não são função ‘exclusivas do Estado’ pode assim, escancarar a falta de competência  do Governo de Roraima para administrar a Saúde. No entanto, quem paga a conta é a população.

Vale lembrar que o contrato com a entidade está previsto para durar cinco anos, Ou seja, o Governo terá gasto um total de R$ 1.618.049.937,60.

 

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